Palavra
de Deus: Ef 4,15-16
1 - Natureza da
Igreja
A luz dos povos é Cristo... Mas porque a
Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima
união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, pretende ela, na sequência
dos anteriores Concílios, pôr de manifesto com maior insistência, aos fiéis e a
todo o mundo, a sua natureza e missão universal. E as condições do nosso tempo
tornam ainda mais urgentes este dever da Igreja, para que deste modo os homens
todos, hoje mais estreitamente ligados uns aos outros, pelos diversos laços
sociais, técnicos e culturais, alcancem também a plena unidade em Cristo.
O Eterno Pai, pelo libérrimo e insondável
desígnio da sua sabedoria e bondade, criou o universo, decidiu elevar os homens
à participação da vida divina e não os abandonou, uma vez caídos em Adão,
antes, em atenção a Cristo Redentor «que é a imagem de Deus invisível, primogênito
de toda a criação» (Cl 1,15) sempre lhes concedeu os auxílios para se salvarem.
Aos eleitos, o Pai, antes de todos os séculos os «discerniu e predestinou para
reproduzirem a imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito de uma
multidão de irmãos» (Rm 8,29). E, aos que creem em Cristo, decidiu chamá-los à
santa Igreja, a qual, prefigurada já desde o princípio do mundo e admiravelmente
preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança, foi constituída no
fim dos tempos e manifestada pela efusão do Espírito, e será gloriosamente
consumada no fim dos séculos. Então, como se lê nos Santos Padres, todos os
justos depois de Adão, «desde o justo Abel até ao último eleito», se reunirão
em Igreja universal junto do Pai.
Veio pois o Filho, enviado pelo Pai, que
n'Ele nos elegeu antes de criar o mundo, e nos predestinou para sermos seus
filhos de adoção, porque lhe aprouve reunir n'Ele todas as coisas (Ef 1,4-5.10).
Por isso, Cristo, a fim de cumprir a vontade do Pai, deu começo na terra ao
Reino dos Céus e revelou-nos o seu mistério, realizando, com a própria
obediência, a redenção. A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em
mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Todos os homens são
chamados a esta união com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos,
e para o qual caminhamos.
Consumada a obra que o Pai confiou ao Filho
para Ele cumprir na terra (Jo 17,4), foi enviado o Espírito Santo no dia de
Pentecostes, para que santificasse continuamente a Igreja e deste modo os fiéis
tivessem acesso ao Pai, por Cristo, num só Espírito (Ef 2,18). Ele é o Espírito
de vida, ou a fonte de água que jorra para a vida eterna (Jo 4,14; 7,38-39);
por quem o Pai vivifica os homens mortos pelo pecado, até que ressuscite em
Cristo os seus corpos mortais (Rm 8,10-11).
O Espírito habita na Igreja e nos corações dos
fiéis, como num templo (1Cor 3,16; 6,19), e dentro deles ora e dá testemunho da
adoção de filhos (Gl 4,6; Rm 8,15-16.26). A Igreja, que Ele conduz à verdade
total (Jo 16,13) e unifica na comunhão e no ministério, enriquece-a Ele e
guia-a com diversos dons hierárquicos e carismáticos e adorna-a com os seus
frutos (Ef 4,11-12; 1Cor 12,4; Gl 5,22). Pela força do Evangelho rejuvenesce a
Igreja e renova-a continuamente e leva-a à união perfeita com o seu Esposo.
Porque o Espírito e a Esposa dizem ao Senhor Jesus: «Vem» (Ap 22,17)!
Assim a Igreja toda aparece como «um povo
unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo.»
2 - Igreja em Cristo,
no Espírito
Assim como todos os membros do corpo humano,
apesar de serem muitos, formam no entanto um só corpo, assim também os fiéis em
Cristo (1Cor 12,12). Também na edificação do Corpo de Cristo existe diversidade
de membros e de funções. É um mesmo Espírito que distribui os seus vários dons
segundo a sua riqueza e as necessidades dos ministérios para utilidade da
Igreja (1Cor 12,1-11). Entre estes dons, sobressai a graça dos Apóstolos, a
cuja autoridade o mesmo Espírito submeteu também os carismáticos (1Cor 14). O
mesmo Espírito, unificando o corpo por si e pela sua força e pela coesão
interna dos membros, produz e promove a caridade entre os fiéis. Daí que, se
algum membro padece, todos os membros sofrem juntamente; e se algum membro
recebe honras, todos se, alegram (1Cor 12,26).
A cabeça deste corpo é Cristo. Ele é a imagem
do Deus invisível e n'Ele foram criadas todas as coisas. Ele existe antes de
todas as coisas e todas n'Ele subsistem. Ele é a cabeça do corpo que é a Igreja.
É o princípio, o primogênito dentre os mortos, de modo que em todas as coisas
tenha o primado (Cl 1,15-18). Pela grandeza do seu poder domina em todas as
coisas celestes e terrestres e, devido à sua supereminente perfeição e ação,
enche todo o corpo das riquezas da sua glória (Ef 1,18-23).
Todos os membros se devem conformar com Ele,
até que Cristo se forme neles (Gl 4,19). Por isso, somos assumidos nos
mistérios da sua vida, configurados com Ele, com Ele mortos e ressuscitados,
até que reinemos com Ele (Fl 3,21; 2Tm 2,11; Ef 2,6; Cl 2,12). Ainda peregrinos
na terra, seguindo as suas pegadas na tribulação e na perseguição,
associamo-nos nos seus sofrimentos como o corpo à cabeça, sofrendo com Ele,
para com Ele sermos glorificados (Rm 8,17).
É por Ele que «o corpo inteiro, alimentado e
coeso em suas junturas e ligamentos, se desenvolve com o crescimento dado por
Deus» (Cl 2,19). Ele mesmo distribui continuamente, no seu corpo que é a
Igreja, os dons dos diversos ministérios, com os quais, graças ao seu poder,
nos prestamos mutuamente serviços em ordem à salvação, de maneira que,
professando a verdade na caridade, cresçamos em tudo para aquele que é a nossa
cabeça (Ef 4,11-16).
E para que sem cessar nos renovemos n'Ele (Ef
4,23), deu-nos do seu Espírito, o qual, sendo um e o mesmo na cabeça e nos
membros, unifica e move o corpo inteiro, a ponto de os Santos Padres compararem
a sua ação à que o princípio vital, ou alma, desempenha no corpo humano.
3 - Uma única Igreja espiritual
e visível
Cristo, mediador único, estabelece e
continuamente sustenta sobre a terra, como um todo visível, a sua santa Igreja,
comunidade de fé, esperança e amor, por meio da qual difunde em todos a verdade
e a graça. Porém, a sociedade organizada hierarquicamente, e o Corpo místico de
Cristo, o agrupamento visível e a comunidade espiritual, a Igreja terrestre e a
Igreja ornada com os dons celestes não se devem considerar como duas entidades,
mas como uma única realidade complexa, formada pelo duplo elemento humano e
divino. Apresenta por esta razão uma grande analogia com o mistério do Verbo
encarnado. Pois, assim como a natureza assumida serve ao Verbo divino de
instrumento vivo de salvação, a Ele indissoluvelmente unido, de modo semelhante
a estrutura social da Igreja serve ao Espírito de Cristo, que a vivifica, para o
crescimento do corpo (Ef 4,16).
Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo
confessamos ser una, santa, católica e apostólica; depois da ressurreição, o
nosso Salvador entregou-a a Pedro para que a apascentasse (Jo 21,17), confiando
também a ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo (Mt 28,18ss), e
erigindo-a para sempre em «coluna e fundamento da verdade» (1Tm 3,5). Esta
Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, subsiste na Igreja
Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele,
embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e
de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem
para a unidade católica.
Mas, assim como Cristo realizou a obra da
redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir pelo
mesmo caminho para comunicar aos homens os frutos da salvação. Cristo Jesus
«que era de condição divina... despojou-se de si próprio tomando a condição de
escravo (Fl 2, 6-7) e por nós, «sendo rico, fez-se pobre» (2Cor 8,9): assim
também a Igreja, embora necessite dos meios humanos para o prosseguimento da
sua missão, não foi constituída para alcançar a glória terrestre, mas para
divulgar a humildade e abnegação, também com o seu exemplo. Cristo foi enviado
pelo Pai «a evangelizar os pobres... a sarar os contritos de coração» (Lc
4,18), «a procurar e salvar o que perecera» (Lc 19,10). De igual modo, a Igreja
abraça com amor todos os afligidos pela enfermidade humana; mais ainda, reconhece
nos pobres e nos que sofrem a imagem do seu fundador pobre e sofredor, procura
aliviar as suas necessidades, e intenta servir neles a Cristo. Enquanto Cristo
«santo, inocente, imaculado» (Hb 7,26), não conheceu o pecado (2Cor 5,21), mas
veio apenas expiar os pecados do povo (Hb 2,17), a Igreja, contendo pecadores
no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação,
exercita continuamente a penitência e a renovação.
A Igreja «prossegue a sua peregrinação no
meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus», anunciando a cruz e
a morte do Senhor até que Ele venha (1Cor 11,26). Mas é robustecida pela força
do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as
suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada
mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz.
Esta Igreja, peregrina sobre a terra, é
necessária para a salvação. Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de
salvação e Ele torna-Se-nos presente no seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar
expressamente a necessidade da fé e do Batismo (Mc 16,16; Jo 3,15), confirmou
simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela
porta do Batismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando
ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como
necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar.
São plenamente incorporados à sociedade que é
a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua
organização e os meios de salvação nela instituídos, e que, pelos laços da
profissão da fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, se
unem, na sua estrutura visível, com Cristo, que a governa por meio do Sumo
Pontífice e dos Bispos. Não se salva, porém, embora incorporado à Igreja, quem
não persevera na caridade: permanecendo na Igreja pelo «corpo», não está nela
com o coração. Lembrem-se, porém, todos os filhos da Igreja que a sua sublime
condição não é devida aos méritos pessoais, mas sim à especial graça de Cristo;
se a ela não corresponderem com os pensamentos, palavras e ações, bem longe de
se salvarem, serão antes mais severamente julgados.
4 - Membros ordenados
da Igreja
Bispos
Cristo Nosso Senhor, para apascentar e
aumentar continuamente o Povo de Deus, instituiu na Igreja diversos
ministérios, para o bem de todo o corpo. Com efeito, os ministros que têm o
poder sagrado servem os seus irmãos para que todos os que pertencem ao Povo de
Deus, e por isso possuem a verdadeira dignidade cristã, alcancem a salvação,
conspirando livre e ordenadamente para o mesmo fim.
Jesus Cristo, pastor eterno, edificou a
Igreja tendo enviado os Apóstolos como Ele fora enviado pelo Pai (Jo 20,21); e
quis que os sucessores deles, os Bispos, fossem pastores na sua Igreja até ao
fim dos tempos. Mas, para que o mesmo episcopado fosse uno e indiviso, colocou
o bem-aventurado Pedro à frente dos outros Apóstolos e nele instituiu o
princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão.
A missão divina confiada por Cristo aos
Apóstolos durará até ao fim dos tempos (Mt 28,20), uma vez que o Evangelho que
eles devem anunciar é em todo o tempo o princípio de toda a vida na Igreja.
Pelo que os Apóstolos trataram de estabelecer sucessores, nesta sociedade
hierarquicamente constituída.
Assim, não só tiveram vários auxiliares no
ministério mas, para que a missão que lhes fora entregue se continuasse após a
sua morte, confiaram a seus imediatos colaboradores, como em testamento, o
encargo de completarem e confirmarem a obra começada por eles,
recomendando-lhes que velassem por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito
Santo os restabelecera para apascentarem a Igreja de Deus (At 20,28).
Estabeleceram assim homens com esta finalidade e ordenaram também que após a
sua morte fosse o seu ministério assumido por outros homens experimentados.
Entre os vários ministérios que na Igreja se
exercem desde os primeiros tempos, consta da tradição que o principal é o
daqueles que, constituídos no episcopado em sucessão ininterrupta são
transmissores do múnus apostólico. E assim, como testemunha santo Ireneu, a
tradição apostólica é manifestada em todo o mundo e guardada por aqueles que
pelos Apóstolos foram constituídos Bispos e seus sucessores.
Portanto, os Bispos receberam, com os seus
colaboradores os presbíteros e diáconos, o encargo da comunidade, presidindo em
lugar de Deus ao rebanho de que são pastores como mestres da doutrina,
sacerdotes do culto sagrado, ministros do governo. E assim como permanece o
múnus confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro entre os Apóstolos,
e que se devia transmitir aos seus sucessores, do mesmo modo permanece o múnus
dos Apóstolos de apascentar a Igreja, o qual deve ser exercido perpetuamente pela
sagrada Ordem dos Bispos. Os Bispos sucedem aos Apóstolos, como pastores da
Igreja; quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e
Aquele que enviou Cristo (Lc 10,16).
Por meio dos seus Apóstolos, Cristo, a quem o
Pai santificou e enviou ao mundo (Jo 10,36), tornou os Bispos, que são
sucessores daqueles, participantes da sua consagração e missão: e estes
transmitiram legitimamente o múnus do seu ministério em grau diverso e a
diversos sujeitos. Assim, o ministério eclesiástico, instituído por Deus, é
exercido em ordens diversas por aqueles que desde a antiguidade são chamados
Bispos, presbíteros e diáconos.
Padres
Os presbíteros (padres), embora não possuam o
fastígio do pontificado e dependam dos Bispos no exercício do próprio poder,
estão-lhes, porém, unidos na honra do sacerdócio e, por virtude do sacramento
da Ordem, são consagrados, à imagem de Cristo, sumo e eterno sacerdote (Hb
5,1-10; 7,24; 9,11-28), para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar
o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento. Participantes,
segundo o grau do seu ministério, da função de Cristo mediador único (1Tm 2,5),
anunciam a todos a Palavra de Deus. Mas é no culto ou celebração eucarística
que exercem principalmente o seu múnus sagrado; nela, atuando em nome de Cristo
e proclamando o seu mistério, unem as preces dos fiéis ao sacrifício da cabeça
e, no sacrifício da missa, representam e aplicam, até à vinda do Senhor (1Cor
11,26), o único sacrifício do Novo Testamento, ou seja, Cristo oferecendo-se,
uma vez por todas, ao Pai, como hóstia imaculada (Hb 9,11-28). Exercem ainda,
por título eminente, o ministério da reconciliação e o do conforto para com os
fiéis arrependidos ou enfermos, e apresentam a Deus Pai as necessidades e preces
dos crentes (Hb 5 1-4). Desempenhando, segundo a medida da autoridade que
possuem, o múnus de Cristo pastor e cabeça, reúnem a família de Deus em
fraternidade animada por um mesmo espírito e, por Cristo e no Espírito Santo,
conduzem-na a Deus Pai. No meio do próprio rebanho adoram-nO em espírito e
verdade (Jo 4,24). Trabalham, enfim, pregando e ensinando (1Tm 5,17),
acreditando no que leem e meditam na lei do Senhor, ensinando o que creem e
vivendo o que ensinam.
Diáconos
Em grau inferior da hierarquia estão os
diáconos, aos quais foram impostas as mãos «não em ordem ao sacerdócio mas ao
ministério». Pois que, fortalecidos com a graça sacramental, servem o Povo de
Deus em união com o Bispo e o seu presbitério, no ministério da liturgia, da
palavra e da caridade.
É próprio do diácono, segundo for cometido
pela competente autoridade, administrar solenemente o Batismo, guardar e
distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o Matrimônio em nome da Igreja,
levar o viático aos moribundos, ler aos fiéis a Sagrada Escritura, instruir e
exortar o povo, presidir ao culto e à oração dos fiéis, administrar os
sacramentais, dirigir os ritos do funeral e da sepultura.
Consagrados aos ofícios da caridade e da
administração, lembrem-se os diáconos da recomendação de S. Policarpo:
«misericordiosos, diligentes, caminhando na verdade do Senhor, que se fez servo
de todos».
5 - Leigos, membros
não-ordenados
Os sagrados pastores conhecem, com efeito,
perfeitamente quanto os leigos contribuem para o bem de toda a Igreja. Pois
eles próprios sabem que não foram instituídos por Cristo para se encarregarem
por si sós de toda a missão salvadora da Igreja para com o mundo, mas que o seu
cargo sublime consiste em pastorear de tal modo os fiéis e de tal modo
reconhecer os seus serviços e carismas, que todos, cada um segundo o seu modo
próprio, cooperem na obra comum. Pois é necessário que todos, «praticando a
verdade na caridade, cresçamos de todas as maneiras para aquele que é a cabeça,
Cristo; pelo influxo do qual o corpo inteiro, bem ajustado e coeso por toda a
espécie de junturas que o alimentam, com a ação proporcionada a cada membro,
realiza o seu crescimento em ordem à própria edificação na caridade (Ef 4,15-16).
Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos
que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela
Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos
em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal,
profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo
o Povo cristão na Igreja e no mundo.
É própria e peculiar dos leigos a
característica secular. Com efeito, os membros da sagrada Ordem, ainda que
algumas vezes possam tratar de assuntos seculares, exercendo mesmo uma profissão
profana, contudo, em razão da sua vocação específica, destinam-se sobretudo e
expressamente ao sagrado ministério; enquanto que os religiosos, no seu estado,
dão magnífico e privilegiado testemunho de que se não pode transfigurar o mundo
e oferecê-lo a Deus sem o espírito das bem-aventuranças.
Por vocação própria, compete aos leigos
procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as
segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e atividade
terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é
como que tecida a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo
o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a
santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo
manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida,
pela irradiação da sua fé, esperança e caridade. Portanto, a eles compete
especialmente, iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que
estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e
progridam e glorifiquem o Criador e Redentor.
6 - Dignidade dos
leigos
A santa Igreja, por instituição divina, é
organizada e governada com uma variedade admirável. «Assim como num mesmo corpo
temos muitos membros, e nem todos têm a mesma função, assim, sendo muitos,
formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros» (Rm 12, 4-5).
Um só é, pois, o Povo de Deus: «um só Senhor,
uma só fé, um só Batismo (Ef. 4,5); comum é a dignidade dos membros, pela
regeneração em Cristo; comum a graça de filhos, comum a vocação à perfeição;
uma só salvação, uma só esperança e uma caridade indivisa. Nenhuma
desigualdade, portanto, em Cristo e na Igreja, por motivo de raça ou de nação,
de condição social ou de sexo, porque «não há judeu nem grego, escravo nem
homem livre, homem nem mulher: com efeito, em Cristo Jesus, todos vós sois um»
(Gl 3,28; Cl 3,11).
Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos
sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos
coube a mesma fé pela justiça de Deus (2Pd 1,1). Ainda que, por vontade de
Cristo, alguns são constituídos doutores, dispensadores dos mistérios e
pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade
e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação do corpo de
Cristo. A distinção que o Senhor estabeleceu entre os ministros sagrados e o
restante Povo de Deus, contribui para a união, já que os pastores e os demais
fiéis estão ligados uns aos outros por uma vinculação comum: os pastores da
Igreja, imitando o exemplo do Senhor, prestem serviço uns aos outros e aos
fiéis: e estes deem alegremente a sua colaboração aos pastores e doutores.
Deste modo, todos testemunham, na variedade, a admirável unidade do Corpo
místico de Cristo: a própria diversidade de graças, ministérios e atividades,
consagra em unidade os filhos de Deus, porque «um só e o mesmo é o Espírito que
opera todas estas coisas» (1Cor 12,11).
Os leigos, portanto, do mesmo modo que, por
divina condescendência, têm por irmão a Cristo, o qual, apesar de ser Senhor de
todos, não veio para ser servido mas para servir (Mt 20,28), de igual modo têm
por irmãos aqueles que, uma vez estabelecidos no sagrado ministério, apascentam
a família de Deus ensinando, santificando e governando com a autoridade de
Cristo, de modo que o mandamento da caridade seja por todos observado. A este
respeito diz belissimamente S. Agostinho: «aterra-me o ser para vós, mas
consola-me o estar convosco. Sou para vós, como Bispo; estou convosco, como
cristão. Nome de ofício, o primeiro; de graça, o segundo; aquele, de risco;
este, de salvação».
Unidos no Povo de Deus, e constituídos no
corpo único de Cristo sob uma só cabeça, os leigos, sejam quais forem, todos
são chamados a concorrer como membros vivos, com todas as forças que receberam
da bondade do Criador e por graça do Redentor, para o crescimento da Igreja e
sua contínua santificação.
O apostolado dos leigos é participação na
própria missão salvadora da Igreja, e para ele todos são destinados pelo
Senhor, por meio do Batismo e da Confirmação. E os sacramentos, sobretudo a
sagrada Eucaristia, comunicam e alimentam aquele amor para com Deus e para com
os homens, que é a alma de todo o apostolado.
Mas os leigos são especialmente chamados a
tornarem a Igreja presente e ativa naqueles locais e circunstâncias em que só
por meio deles ela pode ser o sal da terra. Deste modo, todo e qualquer leigo,
pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento
vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef 4,7).
Além deste apostolado, que diz respeito a
todos os fiéis, os leigos podem ainda ser chamados, por diversos modos, a uma
colaboração mais imediata no apostolado da Hierarquia, à semelhança daqueles
homens e mulheres que ajudavam o apóstolo Paulo no Evangelho, trabalhando muito
no Senhor (Fl 4,3; Rm 16,3ss). Têm ainda a capacidade de ser chamados pela
Hierarquia a exercer certos cargos eclesiásticos, com finalidade espiritual.
Incumbe, portanto, a todos os leigos a
magnífica tarefa de trabalhar para que o desígnio de salvação atinja cada vez
mais os homens de todos os tempos e lugares. Esteja-lhes, pois, amplamente
aberto o caminho, a fim de que, segundo as próprias forças e as necessidades
dos tempos, também eles participem com ardor na ação salvadora da Igreja.
Nesta obra, desempenha grande papel aquele
estado de vida que é santificado por um sacramento próprio: a vida matrimonial
e familiar. Aí se encontra um exercício e uma admirável escola de apostolado
dos leigos, se a religião penetrar toda a vida e a transformar cada vez mais.
Aí encontram os esposos a sua vocação própria, de serem um para o outro e para
os filhos as testemunhas da fé e do amor de Cristo. A família cristã proclama
em alta voz as virtudes presentes do reino de Deus e a esperança na vida
bem-aventurada. E deste modo, pelo exemplo e pelo testemunho, argui o mundo do
pecado e ilumina aqueles que buscam a verdade.
Por isso, ainda mesmo quando ocupados com os
cuidados temporais, podem e devem os leigos exercer valiosa ação para a
evangelização do mundo. E se há alguns que, na medida do possível, suprem nas
funções religiosas os ministros sagrados que faltam ou estão impedidos em tempo
de perseguição, a todos, porém, incumbe a obrigação de cooperar para a
dilatação e crescimento do Reino de Cristo no mundo. Dediquem-se, por isso, os
leigos com diligência a conseguir um conhecimento mais profundo da verdade
revelada, e peçam insistentemente a Deus o dom da sabedoria.
Como todos os cristãos, devem os leigos
abraçar prontamente, com obediência cristã, todas as coisas que os sagrados
pastores, representantes de Cristo, determinarem na sua qualidade de mestres e
guias na Igreja, a exemplo de Cristo, o qual com a Sua obediência, levada até à
morte, abriu para todos o feliz caminho da liberdade dos filhos de Deus. Nem
deixem de encomendar ao Senhor nas suas orações os seus prelados, já que eles
olham pelas nossas almas, como devendo dar contas delas, a fim de que o façam com
alegria e não gemendo (Hb 13,17).
Por seu lado, os sagrados pastores devem
reconhecer e fomentar a dignidade e responsabilidade dos leigos na Igreja;
recorram espontaneamente ao seu conselho prudente, entreguem-lhes confiadamente
cargos em serviço da Igreja e deem-lhes margem e liberdade de ação, animando-os
até a tomarem a iniciativa de empreendimentos. Considerem atentamente e com
amor paterno, em Cristo, as iniciativas, pedidos e desejos propostos pelos
leigos. E reconheçam a justa liberdade que a todos compete na cidade terrestre.
Cada leigo deve ser, perante o mundo, uma
testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus e um sinal do Deus vivo.
Todos em conjunto, e cada um por sua parte, devem alimentar o mundo com frutos
espirituais (Gl 5,22) e nele difundir aquele espírito que anima os pobres,
mansos e pacíficos, que o Senhor no Evangelho proclamou bem-aventurados (Mt 5,3-9).
Numa palavra, «sejam os cristãos no mundo aquilo que a alma é no corpo».
7 - A instituição do
papado
Para não nos perdermos nos mares da História,
é necessário antes de tudo considerarmos a sucessão apostólica e a instituição
do papado. Jesus teve o zelo, a precaução e o cuidado em deixar o seu vigário
ou representante na terra, para pastorear e confirmar as suas ovelhas
espalhadas no mundo inteiro. Assim, o papado instituído por Jesus desde a nomeação
de Pedro foi a primeira organização estrutural e jurisdicional da Igreja.
Os primeiros cristãos tinham uma profunda
consciência que o Senhor Jesus instituiu o papado desde Pedro e o colocou a
serviço da sua Igreja com autoridade espiritual e jurisdição no mundo inteiro.
Considerando que Pedro foi Bispo de Roma, os seus sucessores foram desde sempre
reconhecidos como papas, com autoridade plena para pastorear toda Igreja
Católica, nomear os Bispos das outras dioceses e ensinar a verdadeira fé cristã.
Um
dos alicerces da nossa catolicidade, da Igreja Católica, é a instituição do
Papado: o Papa como sucessor de São Pedro, constituído como chefe da Igreja,
aquele que tem as chaves, o poder de ligar e desligar, sancionado por Deus no
Céu. Nele se cumpre a promessa que Jesus fez à sua Igreja: “Eis que estou
convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 20).
Repito
isso porque, alguns cristãos, zelosos pela ortodoxia, no ímpeto de defender
algum dos valores e riquezas da Igreja, esquecem-se desse valor primordial.
Destruído esse, os outros valores se desmoronam. Perde-se o vínculo da unidade
na Igreja e da união com o fundador.
Uma
das provas de que a Igreja é indefectível, apesar das fraquezas humanas, e goza
da assistência contínua e infalível do seu fundador, é a instituição do Papado,
que nos dá a garantia da presença contínua dele na sua Igreja, através daquele
que lhe faz as vezes, o seu Vigário.
Jesus
escolheu como seu vigário (que lhe faz as vezes, repito) na terra, Pedro, a
pedra. E Pedro, primeiro Papa, é uma figura emblemática e paradigmática. Pedro
se chamava Simão. Jesus lhe mudou o nome, significando sua missão, como é
habitual nas Escrituras: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas!
(que quer dizer Pedro – pedra)” (Jo 1, 42). Quando Simão fez a profissão de Fé
na divindade de Jesus, este lhe disse: “Não foi carne e sangue quem te revelou
isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre
esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão
vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (a Igreja): tudo o que
ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será
desligado nos céus” (Mt 16, 13-19). Corajoso e com imenso amor pelo Senhor,
sentiu também sua fraqueza humana, ao negar três vezes que o conhecia. “Simão,
Simão! Satanás pediu permissão para vos peneirar, como o trigo. Eu, porém, orei
por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os
teus irmãos” (Lc 22, 31-32). E Pedro,
depois de ter chorado seu pecado, foi feito por Jesus o Pastor da sua
Igreja.
São
Pedro, fraco por ele mesmo, mas forte pela força que lhe deu Jesus, representa
bem a Igreja de Cristo. “Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica,
edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro… Cremos que a Igreja,
fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no
culto e no vínculo da comunhão hierárquica. Ela é santa, apesar de incluir
pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da
graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se
dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho
e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por
esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de
Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus).
Nenhuma
sociedade humana sobreviveria a tantas fraquezas e dificuldades, se não fosse a
ação do Espírito Santo que a mantém incólume no meio de todas essas
tempestades, até a consumação dos séculos.
Dom Fernando Arêas Rifan
8 - Onde está Pedro,
aí está a Igreja!
O Reino de Deus é um reino de ordem, não de
confusão. Imagine quão grande seria a confusão se não tivéssemos um Vigário de
Cristo na terra, tanto para pastorear a Igreja no mundo inteiro como para
governá-la. É por isso que Santo Ambrósio (340-397) já repetia esta máxima que
veio dos primeiros cristãos: “Onde está Pedro, aí está a Igreja. Onde está a
Igreja não está a morte, mas a vida eterna!”
O papa, como cada um de nós, é um ser humano
necessitado da misericórdia de Deus, a começar pelo Apóstolo Pedro que disse
“afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pobre pecador". Mesmo assim,
apesar da sua concupiscência, foi confirmado por Jesus como seu Vigário.
A lista dos papas demonstra a fidelidade de
Deus que nunca abandonou a Igreja. Cada papa teve que zelar pela sua própria
salvação e cada um será julgado por Jesus conforme tenha vivido nessa terra. O
julgamento pertence a Deus. Mas independente disso, ele foi Vigário de Jesus e
referência para os cristãos do mundo inteiro em um determinado momento da
História.
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1878 - Pio IX
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1846 - Gregório XVI
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1775 -
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1774 - Clemente XIV
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1769 - Clemente XIII
1740 -
1758 - Bento XIV
1730 -
1740 - Clemente XII
1724 -
1730 - Bento XIII
1721 -
1724 - Inocêncio XIII
1700 -
1721 - Clemente XI
1691 -
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1691 - Alexandre VIII
1676 -
1689 - Inocêncio XI
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1667 -
1669 - Clemente IX
1655 -
1667 - Alexandre VII
1644 -
1655 - Inocêncio X
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1644 - Urbano VIII
1621 -
1623 - Gregório XV
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1621 - Paulo V
1605 -
1605 - Leão XI
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1605 - Clemente VIII
1591 -
1591 - Inocêncio IX
1590 -
1591 - Gregório XIV
1590 - 1590
- Urbano VII
1585 -
1590 - Sisto V
1572 -
1585 - Gregório XIII
1566 -
1572 - Pio V
1559 -
1565 - Pio IV
1555 -
1559 - Paulo IV
1555 - 1555
- Marcelo II
1550 -
1555 - Júlio III
1534 -
1549 - Paulo III
1523 -
1534 - Clemente VII
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1523 - Adriano VI
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1521 - Leão X
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1513 - Júlio II
1503 - 1503
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1492 -
1503 - Alexandre VI
1484 -
1492 - Inocêncio VIII
1471 -
1484 - Sisto IV
1464 -
1471 - Paulo II
1458 -
1464 - Pio II
1455 -
1458 Calisto III
1447 -
1455 Nicolau V
1431 -
1447 Eugênio IV
1417 -
1431 Martinho V
1406 -
1417 Gregório XII
1404 -
1406 Inocêncio VII
1389 -
1404 Bonifácio IX
1378 -
1389 Urbano VI
1370 - 1378
Gregório XI
1362 -
1370 Urbano V
1352 -
1362 - Inocêncio VI
1342 -
1352 - Clemente VI
1334 -
1342 - Bento XII
1316 -
1334 - João XXII
1305 -
1314 - Clemente V
1303 -
1304 - Bento XI
1294 -
1303 - Bonifácio VIII
1294 - 1294
- Celestino V
1288 -
1292 - Nicolau IV
1285 -
1287 - Honório IV
1281 -
1285 - Martinho IV
1277 -
1280 - Nicolau III
1276 -
1277 - João XXI
1276 - 1276
- Adriano V
1276 - 1276
- Inocêncio V
1271 -
1276 - Gregório X
1265 -
1268 - Clemente IV
1261 -
1264 - Urbano IV
1254 -
1261 - Alexandre IV
1243 -
1254 - Inocêncio IV
1241 - 1242
- Celestino IV
1227 -
1241 - Gregório IX
1216 -
1227 - Honório III
1198 -
1216 - Inocêncio III
1191 -
1198 - Celestino III
1187 -
1191 - Clemente III
1187 - 1187
- Gregório VIII
1185 -
1187 - Urbano III
1181 -
1185 - Lúcio III
1159 -
1180 - Alexandre III
1154 -
1159 - Adriano IV
1153 -
1154 - Anastácio IV
1145 -
1153 - Eugênio III
1144 -
1145 - Lúcio II
1143 -
1144 - Celestino II
1130 -
1143 - Inocêncio II
1124 -
1130 - Honório II
1119 -
1124 - Calisto II
1118 -
1119 - Gelásio II
1099 -
1118 - Pascoal II
1088 -
1099 - Urbano II
1086 -
1087 - Vítor III
1073 -
1085 - Gregório VII
1061 -
1073 - Alexandre II
1059 -
1061 - Nicolau II
1057 -
1058 - Estevão X
1054 -
1057 - Vitor II
1049 -
1054 - Leão IX
1048 - 1048
- Dâmaso II
1047 -
1048 - (Teofilato de Túsculo)
1046 -
1047 - Clemente II
1045 -
1046 - Gregório VI
1045 - 1045
- Bento IX
1045 - 1045
- Silvestre III, romano
1033 -
1045 - Bento IX
1024 -
1032 - João XIX
1012 -
1024 - Bento VIII
1009 -
1012 - Sérgio IV
1003 -
1009 - João XVIII
1003 - 1003
- João XVII
999 -
1003 - Silvestre II
996 -
999 - Gregório V
985 -
996 - João XV
983 - 984
- João XIV
974 –
983 - Bento VII
972 –
974 - Bento VI
965 -
972 - João XIII
964 - 964
- Bento V
963 -
965 - Leão VIII
955 -
964 - João XII
946 -
955 - Agapito II
942 - 946
- Marino II
939 -
942 - Estevão IX
936 -
939 - Leão VII
931 -
935 - João XI
928 -
931 - Estevão VIII
928 - 928
- Leão VI
914 -
928 - João X
913 -
914 - Lando
911 -
913 - Anastácio III
904 -
911 - Sérgio III
903 - 903
- Leão V
900 -
903 - Bento IV
898 -
900 - João IX
897 - 897
- Teodoro II
897 - 897
- Romano
896 -
897 - Estevão VII
896 - 896
- Bonifácio VI
891 -
896 - Formoso
885 -
891 - Estevão VI
884 -
885 - Adriano III
882 -
884 - Marino I
872 -
882 - João VIII
867 -
872 - Adriano II
858 -
867 - Nicolau I
855 -
858 - Bento III
847 -
855 - Leão IV
844 -
847 - Sérgio II
827 -
844 - Gregório IV
827 - 827
- Valentim
824 -
827 - Eugênio II
817 -
824 - Pascoal I
816 -
817 - Estevão V
795 -
816 - Leão III
772 -
795 - Adriano I
768 -
772 - Estevão IV
757 -
767 - Paulo I
752 -
757 - Estevão III
752 - 752
- Estevão [II]
741 -
752 - Zacarias
731 -
741 - Gregório III
715 - 731
- Gregório II
708 -
715 - Constantino
708 - 708
- Sisínio
705 -
707 - João VII
701 -
705 - João VI
687 -
701 - Sérgio I
686 -
687 - Cônon
685 -
686 - João V
683 -
685 - Bento II
682 -
683 - Leão II
678 -
681 - Agatão
676 -
678 - Dono
672 -
676 - Adeodato II
657 -
672 - Vitaliano
654 - 657
- Eugênio I
649 -
655 - Martinho I
642 -
649 - Teodoro I
640 -
642 - João IV
638 -
640 - Severino
625 -
638 - Honório I
619 -
625 - Bonifácio V
615 -
618 - Adeodato I
608 -
615 - Bonifácio IV
606 -
607 - Bonifácio III
604 -
606 - Sabiniano
590 -
604 - Gregório I Magno
579 -
590 - Pelágio II
575 -
579 - Bento I
561 -
574 - João III
556 -
561 - Pelágio I
537 -
555 - Vigílio
536 -
537 - Silvério
535 -
536 - Agapito I
533 -
535 - João II
530 -
532 - Bonifácio II
526 -
530 - Félix III
523 -
526 - João I
514 -
523 - Hormisdas
498 -
514 - Símaco
496 -
498 - Anastácio II
492 -
496 - Gelásio I
483 -
492 - Félix II
468 -
483 - Simplício
461 -
468 - Hilário
440 -
461 - Leão I Magno
432 -
440 - Sisto III
422 -
432 - Celestino I
418 -
422 - Bonifácio I
417 -
418 - Zózimo
402 -
417 - Inocêncio I
399 -
402 - Anastácio I
384 -
399 - Sirício
366 -
384 - Dâmaso I
352 -
366 - Libério
337 -
352 - Júlio I
336 - 336
- Marcos
314 -
335 - Silvestre I
310 -
314 - Melcíades
309 -
310 - Eusébio
307 -
309 - Marcelo I
296 -
304 - Marcelino
296 - 296
- Caio
274 -
282 - Eutiquiano
268 -
274 - Félix I
260 -
268 - Dionísio
257 -
258 - Sisto II
254 -
257 - Estevão I
253 -
254 - Lúcio I
251 -
253 - Cornélio
236 -
250 - Fabiano
235 -
236 - Antero
230 -
235 - Ponciano
222 -
230 - Urbano I
217 -
222 - Calisto I
199 -
217 - Zeferino
189 -
199 - Vítor I
174 -
189 - Eleutério
166 -
174 - Sotero
154 -
165 - Aniceto
143 -
154 - Pio I
138 -
142 - Higino
125 -
138 - Telésforo
116 -
125 - Sisto I
107 -
116 - Alexandre I
101 -
107 - Evaristo
90 -
101 - Clemente I
79 - 90
- Anacleto
64 - 79
- Lino
33-64 -
Pedro Apóstolo
Continuemos
a reflexão com o Arcebispo Fulton Sheen:
Quando
nosso Senhor conferiu a primazia sobre Pedro e seus sucessores ele os fez
infalíveis ou impecáveis? Os próprios Evangelhos fazem a distinção. Pedro fez a
confissão da Divindade de Nosso Senhor, que então o colocou como a Rocha da Sua
Igreja, com a garantia de que as portas do erro nunca prevalecerão contra ela.
Imediatamente
após essa promessa de liberdade do erro e garantia da fé, o Senhor diz aos
Apóstolos que Ele deve "ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos,
os escribas e príncipes dos sacerdotes, e ser condenado à morte".
O
pobre, fraco e humano Pedro – que estava, evidentemente, inchado de orgulho,
pois havia sido feita a Rocha da Igreja – ainda teria que aprender as
limitações do seu dom. Como um menino que recebeu autoridade e está ansioso
para exercê-la, Pedro agora chama o Senhor, na linguagem do Evangelho "a
repreendê-lo", dizendo: "Senhor, tenha compaixão de ti, isso de modo
algum te acontecerá".
Diante
disso, Nosso Senhor, que estava de costas para Pedro, virou-se e disse:
"Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são
de Deus, mas dos homens!"
Um
momento antes Pedro foi chamado de Rocha; agora ele é chamado de Satanás. Bem,
não acho que a Mente Divina tenha mudado tão rapidamente. O Senhor não pegou de
volta o dom da primazia, porque Ele o confirmaria depois de Sua Ressurreição.
Ele estava apenas apresentando a Pedro a distinção entre o ofício e o homem,
entre infalibilidade e impecabilidade, entre ser livre de erro e a libertação
do pecado.
Em
outras palavras, o Senhor estava dizendo: "Como Pedro, a rocha sobre a
qual eu edificarei a Minha Igreja, você será preservado do erro; mas como
Simão, filho de João, como um homem, você é tão fraco, tão humano, tão apto a
ser pecador, que pode tornar-se ainda como a Satanás. Em seu ofício você é
infalível; mas como um homem você é capaz de pecar".
A
maioria de nós, também, ao examinarmos nossas relações com nossos semelhantes,
está consciente dessa distinção que o Senhor fez em Cesareia de Filipe. Se um
oficial da lei levanta a mão e ordena que você pare no trânsito, você o fará. E
por quê? Porque ele é o representante da lei e da ordem. E você faria isso
mesmo que você soubesse que, como um cidadão privado, o guarda de trânsito era
conhecido por bater em sua esposa. Em outras palavras, você faz a distinção
entre o ofício e o homem.
Admitindo,
então, a fraqueza do homem (que continua a ser a mesma pessoa) e o poder do
ofício (porque este é de Cristo), como justificar a ênfase que os inimigos da
Igreja têm colocado sobre a imperfeição de Pedro? Ao ler algumas histórias
poderíamos pensar que o papado não era nada além do que um rio escarlate de
sangue.
9 - Santa Sé
Santa
Sé ou Sé Apostólica é o centro pastoral e administrativo da Igreja, em Roma,
tendo à frente o papa. Compreende a Secretaria de Estado, congregações,
conselhos pontifícios, comissões, comitês, departamentos, tribunais e outros
organismos.
A Cidade do Vaticano é um estado com
autonomia política, graças ao Tratado de Latrão, assinado em 11 de fevereiro de
1929, entre o governo italiano e a Santa Sé, no pontificado de Pio XI.
Considerado o menor Estado do mundo, esse território localizado dentro da
cidade de Roma, assegura a liberdade da Sé Apostólica e a independência do papa
para poder realizar sua missão. O papa é seu chefe de estado.
No Vaticano, destaca-se a Basílica de São
Pedro, construída sobre o túmulo do apóstolo Pedro, que foi o primeiro papa.
Ela é uma das quatro basílicas papais.
O escudo ou brasão da Santa Sé apresenta a
tiara (um dos símbolos do ministério papal) sobre duas chaves cruzadas
(simbolismo tirado do evangelho, representando as chaves dadas por Cristo ao
apóstolo Pedro); a chave dourada faz alusão ao poder no reino dos céus; a
prateada indica a autoridade espiritual do papa na Terra. O cordão com as
curvas que une os apertos representa o vínculo entre os dois poderes.
A Cúria Romana é o conjunto de órgãos e
pessoas que auxiliam o papa no governo da Igreja. Os órgãos e diversos
departamentos que compõem a Cúria Romana são chamados dicastérios.
O decreto "Christus Dominus", do
Concílio Vaticano II, diz que o Sumo Pontífice vale-se dos organismos da Cúria
Romana. “Estes, por conseguinte, em nome e com a autoridade dele, exercem seu
ofício para o bem das Igrejas e em serviço dos Sagrados Pastores."
A Cúria Romana compreende:
Secretaria de Estado
Congregações
Comissões pontifícias
Conselhos Pontifícios
Academias pontifícias
Pontifícios Comitês
Ofícios
Tribunais e
Outros organismos
diversos.
10 - Diocese
Diocese (do grego dioíkēsis, administração,
governo, gestão de uma instituição) é a forma como a Igreja se organiza
pastoral e territorialmente em todo o mundo. Também chamada de Igreja
Particular, na teologia e lei canónica, é uma comunidade eclesial em plena comunhão
com Roma, uma parte da Igreja Católica vista como um todo.
O Código de Direito Canónico refere-se às
Igrejas particulares como sendo as unidades “nas quais e das quais existe a una
e única Igreja Católica”. Todas estas igrejas são lideradas por membros do
clero, que, em última instância, respondem todos ao Papa.
Outra denominação para Diocese é a
Circunscrição eclesiástica que nada mais é do que divisões territoriais e
administrativas cujo objetivo é organizar e tornar mais eficaz a administração da
Igreja Católica.
O Papa cria as dioceses em todo o mundo e
escolhe os seus bispos. Desta forma, se torna mais fácil a administração e a
organização pastoral da região. Assim o rebanho de Cristo ganha um pastor para
atuar naquela área específica juntamente com os presbíteros auxiliando mais de
perto este mesmo rebanho a ter um encontro pessoal com Cristo e uma experiência
de comunidade.
11 - Paróquia
O conceito de paróquia vem do Grego paroikêin, significando viver junto,
habitar nas proximidades, habitar como peregrinos em qualquer parte.
O Código de Direito Canônico afirma que a
paróquia é a comunidade dos fiéis submetida ao pároco ou, é um território sobre
o qual se estende a jurisdição do pároco.
Nos primeiros séculos da Igreja não existiam
as paróquias, existiam apenas os bispados ou dioceses administradas
pessoalmente pelos bispos, como legítimos sucessores dos Apóstolos. Cada
diocese formava uma única paróquia cuja matriz era a Catedral, igreja que
possuía a pia batismal. Os bispos, nas suas catedrais, cercavam-se de
sacerdotes auxiliares para o serviço do culto e administração dos sacramentos.
Com a propagação da fé, sobretudo, no período
medieval, formaram-se números núcleos de fiéis nas grandes cidades e nas
aldeias do Império Romano ou nos reinos europeus que o sucederam.
Daí veio a necessidade de se construir outras
igrejas para comodidade dos fiéis, que nem sempre podiam recorrer facilmente ao
bispo devido à distância da sede diocesana. Para essas igrejas, o bispo enviava
sacerdotes para realizarem o serviço ministerial, regressando depois à sede do
bispado.
Nas igrejas rurais, lembrando que na Idade
Média aconteceu um forte processo de ruralização da vida e da economia, a
administração das igrejas foi confiada a sacerdotes determinados, marcando para
cada um deles um território ou comarca, para o exercício de sua jurisdição.
Esse território ou comarca passou a ser chamado de paróquia.
Cada paróquia é pensada para ser uma célula
viva do organismo universal que é da Igreja. Os fiéis que formam uma paróquia
devem ser uma família espiritual que, unida a outras, forma a sociedade ou
edifício espiritual. Nesta organização, a Igreja Matriz deve ser o expoente da
fé e da piedade dos paroquianos.
As funções mais importantes como a
administração de alguns sacramentos devem ser realizadas na Igreja Matriz,
revestindo-se de maior pompa para maior edificação dos fiéis. A matriz deve
estar sempre provida do que há de melhor para o esplendor do culto, contando
com os recursos fornecidos pelos paroquianos e pelo pároco.
A vida comunitária, porém, precisa ser
descentralizada, sendo realizada e vivenciada em maior ou menor grau em todas
as comunidades que formam a paróquia.
As Paróquias possuem diversos Organismos
Eclesiais:
-
Pastoral
Pastoral
vem de pastor, pastoreio. A Igreja deve pastorear as ovelhas. Pastoral é,
portanto, uma ação da Igreja a serviços da vida das ovelhas. Exemplos: Pastoral
da Liturgia, Pastoral da Catequese, Pastoral da Saúde, Pastoral da Criança,
Pastoral da Sobriedade, etc
-
Ministério
Ministério
é um serviço instituído oficialmente pela Igreja (investidura), como os
Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística e os Ministros
Extraordinários da Palavra.
-
Movimento
Os
movimentos são organizações de leigos para a vivência de um carisma e para a
realização de uma missão específica na Igreja. Eles são governados e
organizados para além do território paroquial e tem o seu estatuto próprio. Uma
vez presentes na paróquia, os movimentos devem caminhar em obediência ao
pároco, unidade com os outros organismos paroquiais e ajudar a paróquia nas
suas necessidades espirituais, pastorais e financeiras, mas nunca podem esquecer
o seu carisma próprio, estatutos e regimentos. Exemplos: Discipulado de Jesus
Cristo, Focolares, Comunidade Shalom, Encontro de Casais com Cristo,
Neocatecumenal, etc
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