Organização da Igreja


Palavra de Deus: Ef 4,15-16

 

1 - Natureza da Igreja

 

A luz dos povos é Cristo... Mas porque a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano, pretende ela, na sequência dos anteriores Concílios, pôr de manifesto com maior insistência, aos fiéis e a todo o mundo, a sua natureza e missão universal. E as condições do nosso tempo tornam ainda mais urgentes este dever da Igreja, para que deste modo os homens todos, hoje mais estreitamente ligados uns aos outros, pelos diversos laços sociais, técnicos e culturais, alcancem também a plena unidade em Cristo.

O Eterno Pai, pelo libérrimo e insondável desígnio da sua sabedoria e bondade, criou o universo, decidiu elevar os homens à participação da vida divina e não os abandonou, uma vez caídos em Adão, antes, em atenção a Cristo Redentor «que é a imagem de Deus invisível, primogênito de toda a criação» (Cl 1,15) sempre lhes concedeu os auxílios para se salvarem. Aos eleitos, o Pai, antes de todos os séculos os «discerniu e predestinou para reproduzirem a imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito de uma multidão de irmãos» (Rm 8,29). E, aos que creem em Cristo, decidiu chamá-los à santa Igreja, a qual, prefigurada já desde o princípio do mundo e admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na Antiga Aliança, foi constituída no fim dos tempos e manifestada pela efusão do Espírito, e será gloriosamente consumada no fim dos séculos. Então, como se lê nos Santos Padres, todos os justos depois de Adão, «desde o justo Abel até ao último eleito», se reunirão em Igreja universal junto do Pai.

Veio pois o Filho, enviado pelo Pai, que n'Ele nos elegeu antes de criar o mundo, e nos predestinou para sermos seus filhos de adoção, porque lhe aprouve reunir n'Ele todas as coisas (Ef 1,4-5.10). Por isso, Cristo, a fim de cumprir a vontade do Pai, deu começo na terra ao Reino dos Céus e revelou-nos o seu mistério, realizando, com a própria obediência, a redenção. A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos.

Consumada a obra que o Pai confiou ao Filho para Ele cumprir na terra (Jo 17,4), foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes, para que santificasse continuamente a Igreja e deste modo os fiéis tivessem acesso ao Pai, por Cristo, num só Espírito (Ef 2,18). Ele é o Espírito de vida, ou a fonte de água que jorra para a vida eterna (Jo 4,14; 7,38-39); por quem o Pai vivifica os homens mortos pelo pecado, até que ressuscite em Cristo os seus corpos mortais (Rm 8,10-11).

O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis, como num templo (1Cor 3,16; 6,19), e dentro deles ora e dá testemunho da adoção de filhos (Gl 4,6; Rm 8,15-16.26). A Igreja, que Ele conduz à verdade total (Jo 16,13) e unifica na comunhão e no ministério, enriquece-a Ele e guia-a com diversos dons hierárquicos e carismáticos e adorna-a com os seus frutos (Ef 4,11-12; 1Cor 12,4; Gl 5,22). Pela força do Evangelho rejuvenesce a Igreja e renova-a continuamente e leva-a à união perfeita com o seu Esposo. Porque o Espírito e a Esposa dizem ao Senhor Jesus: «Vem» (Ap 22,17)!

Assim a Igreja toda aparece como «um povo unido pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo.»

 

 

2 - Igreja em Cristo, no Espírito

 

Assim como todos os membros do corpo humano, apesar de serem muitos, formam no entanto um só corpo, assim também os fiéis em Cristo (1Cor 12,12). Também na edificação do Corpo de Cristo existe diversidade de membros e de funções. É um mesmo Espírito que distribui os seus vários dons segundo a sua riqueza e as necessidades dos ministérios para utilidade da Igreja (1Cor 12,1-11). Entre estes dons, sobressai a graça dos Apóstolos, a cuja autoridade o mesmo Espírito submeteu também os carismáticos (1Cor 14). O mesmo Espírito, unificando o corpo por si e pela sua força e pela coesão interna dos membros, produz e promove a caridade entre os fiéis. Daí que, se algum membro padece, todos os membros sofrem juntamente; e se algum membro recebe honras, todos se, alegram (1Cor 12,26).

A cabeça deste corpo é Cristo. Ele é a imagem do Deus invisível e n'Ele foram criadas todas as coisas. Ele existe antes de todas as coisas e todas n'Ele subsistem. Ele é a cabeça do corpo que é a Igreja. É o princípio, o primogênito dentre os mortos, de modo que em todas as coisas tenha o primado (Cl 1,15-18). Pela grandeza do seu poder domina em todas as coisas celestes e terrestres e, devido à sua supereminente perfeição e ação, enche todo o corpo das riquezas da sua glória (Ef 1,18-23).

Todos os membros se devem conformar com Ele, até que Cristo se forme neles (Gl 4,19). Por isso, somos assumidos nos mistérios da sua vida, configurados com Ele, com Ele mortos e ressuscitados, até que reinemos com Ele (Fl 3,21; 2Tm 2,11; Ef 2,6; Cl 2,12). Ainda peregrinos na terra, seguindo as suas pegadas na tribulação e na perseguição, associamo-nos nos seus sofrimentos como o corpo à cabeça, sofrendo com Ele, para com Ele sermos glorificados (Rm 8,17).

É por Ele que «o corpo inteiro, alimentado e coeso em suas junturas e ligamentos, se desenvolve com o crescimento dado por Deus» (Cl 2,19). Ele mesmo distribui continuamente, no seu corpo que é a Igreja, os dons dos diversos ministérios, com os quais, graças ao seu poder, nos prestamos mutuamente serviços em ordem à salvação, de maneira que, professando a verdade na caridade, cresçamos em tudo para aquele que é a nossa cabeça (Ef 4,11-16).

E para que sem cessar nos renovemos n'Ele (Ef 4,23), deu-nos do seu Espírito, o qual, sendo um e o mesmo na cabeça e nos membros, unifica e move o corpo inteiro, a ponto de os Santos Padres compararem a sua ação à que o princípio vital, ou alma, desempenha no corpo humano.

 

 

3 - Uma única Igreja espiritual e visível

 

Cristo, mediador único, estabelece e continuamente sustenta sobre a terra, como um todo visível, a sua santa Igreja, comunidade de fé, esperança e amor, por meio da qual difunde em todos a verdade e a graça. Porém, a sociedade organizada hierarquicamente, e o Corpo místico de Cristo, o agrupamento visível e a comunidade espiritual, a Igreja terrestre e a Igreja ornada com os dons celestes não se devem considerar como duas entidades, mas como uma única realidade complexa, formada pelo duplo elemento humano e divino. Apresenta por esta razão uma grande analogia com o mistério do Verbo encarnado. Pois, assim como a natureza assumida serve ao Verbo divino de instrumento vivo de salvação, a Ele indissoluvelmente unido, de modo semelhante a estrutura social da Igreja serve ao Espírito de Cristo, que a vivifica, para o crescimento do corpo (Ef 4,16).

Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica; depois da ressurreição, o nosso Salvador entregou-a a Pedro para que a apascentasse (Jo 21,17), confiando também a ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo (Mt 28,18ss), e erigindo-a para sempre em «coluna e fundamento da verdade» (1Tm 3,5). Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele, embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica.

Mas, assim como Cristo realizou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir pelo mesmo caminho para comunicar aos homens os frutos da salvação. Cristo Jesus «que era de condição divina... despojou-se de si próprio tomando a condição de escravo (Fl 2, 6-7) e por nós, «sendo rico, fez-se pobre» (2Cor 8,9): assim também a Igreja, embora necessite dos meios humanos para o prosseguimento da sua missão, não foi constituída para alcançar a glória terrestre, mas para divulgar a humildade e abnegação, também com o seu exemplo. Cristo foi enviado pelo Pai «a evangelizar os pobres... a sarar os contritos de coração» (Lc 4,18), «a procurar e salvar o que perecera» (Lc 19,10). De igual modo, a Igreja abraça com amor todos os afligidos pela enfermidade humana; mais ainda, reconhece nos pobres e nos que sofrem a imagem do seu fundador pobre e sofredor, procura aliviar as suas necessidades, e intenta servir neles a Cristo. Enquanto Cristo «santo, inocente, imaculado» (Hb 7,26), não conheceu o pecado (2Cor 5,21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (Hb 2,17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação.

A Igreja «prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus», anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (1Cor 11,26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz.

Esta Igreja, peregrina sobre a terra, é necessária para a salvação. Com efeito, só Cristo é mediador e caminho de salvação e Ele torna-Se-nos presente no seu corpo, que é a Igreja; ao inculcar expressamente a necessidade da fé e do Batismo (Mc 16,16; Jo 3,15), confirmou simultaneamente a necessidade da Igreja, para a qual os homens entram pela porta do Batismo. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar.

São plenamente incorporados à sociedade que é a Igreja aqueles que, tendo o Espírito de Cristo, aceitam toda a sua organização e os meios de salvação nela instituídos, e que, pelos laços da profissão da fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, se unem, na sua estrutura visível, com Cristo, que a governa por meio do Sumo Pontífice e dos Bispos. Não se salva, porém, embora incorporado à Igreja, quem não persevera na caridade: permanecendo na Igreja pelo «corpo», não está nela com o coração. Lembrem-se, porém, todos os filhos da Igreja que a sua sublime condição não é devida aos méritos pessoais, mas sim à especial graça de Cristo; se a ela não corresponderem com os pensamentos, palavras e ações, bem longe de se salvarem, serão antes mais severamente julgados.

 

 

4 - Membros ordenados da Igreja

 

Bispos

 

Cristo Nosso Senhor, para apascentar e aumentar continuamente o Povo de Deus, instituiu na Igreja diversos ministérios, para o bem de todo o corpo. Com efeito, os ministros que têm o poder sagrado servem os seus irmãos para que todos os que pertencem ao Povo de Deus, e por isso possuem a verdadeira dignidade cristã, alcancem a salvação, conspirando livre e ordenadamente para o mesmo fim.

Jesus Cristo, pastor eterno, edificou a Igreja tendo enviado os Apóstolos como Ele fora enviado pelo Pai (Jo 20,21); e quis que os sucessores deles, os Bispos, fossem pastores na sua Igreja até ao fim dos tempos. Mas, para que o mesmo episcopado fosse uno e indiviso, colocou o bem-aventurado Pedro à frente dos outros Apóstolos e nele instituiu o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão.

A missão divina confiada por Cristo aos Apóstolos durará até ao fim dos tempos (Mt 28,20), uma vez que o Evangelho que eles devem anunciar é em todo o tempo o princípio de toda a vida na Igreja. Pelo que os Apóstolos trataram de estabelecer sucessores, nesta sociedade hierarquicamente constituída.

Assim, não só tiveram vários auxiliares no ministério mas, para que a missão que lhes fora entregue se continuasse após a sua morte, confiaram a seus imediatos colaboradores, como em testamento, o encargo de completarem e confirmarem a obra começada por eles, recomendando-lhes que velassem por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo os restabelecera para apascentarem a Igreja de Deus (At 20,28). Estabeleceram assim homens com esta finalidade e ordenaram também que após a sua morte fosse o seu ministério assumido por outros homens experimentados.

Entre os vários ministérios que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, consta da tradição que o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado em sucessão ininterrupta são transmissores do múnus apostólico. E assim, como testemunha santo Ireneu, a tradição apostólica é manifestada em todo o mundo e guardada por aqueles que pelos Apóstolos foram constituídos Bispos e seus sucessores.

Portanto, os Bispos receberam, com os seus colaboradores os presbíteros e diáconos, o encargo da comunidade, presidindo em lugar de Deus ao rebanho de que são pastores como mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado, ministros do governo. E assim como permanece o múnus confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro entre os Apóstolos, e que se devia transmitir aos seus sucessores, do mesmo modo permanece o múnus dos Apóstolos de apascentar a Igreja, o qual deve ser exercido perpetuamente pela sagrada Ordem dos Bispos. Os Bispos sucedem aos Apóstolos, como pastores da Igreja; quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Aquele que enviou Cristo (Lc 10,16).

Por meio dos seus Apóstolos, Cristo, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo (Jo 10,36), tornou os Bispos, que são sucessores daqueles, participantes da sua consagração e missão: e estes transmitiram legitimamente o múnus do seu ministério em grau diverso e a diversos sujeitos. Assim, o ministério eclesiástico, instituído por Deus, é exercido em ordens diversas por aqueles que desde a antiguidade são chamados Bispos, presbíteros e diáconos.

 

 

Padres

 

Os presbíteros (padres), embora não possuam o fastígio do pontificado e dependam dos Bispos no exercício do próprio poder, estão-lhes, porém, unidos na honra do sacerdócio e, por virtude do sacramento da Ordem, são consagrados, à imagem de Cristo, sumo e eterno sacerdote (Hb 5,1-10; 7,24; 9,11-28), para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento. Participantes, segundo o grau do seu ministério, da função de Cristo mediador único (1Tm 2,5), anunciam a todos a Palavra de Deus. Mas é no culto ou celebração eucarística que exercem principalmente o seu múnus sagrado; nela, atuando em nome de Cristo e proclamando o seu mistério, unem as preces dos fiéis ao sacrifício da cabeça e, no sacrifício da missa, representam e aplicam, até à vinda do Senhor (1Cor 11,26), o único sacrifício do Novo Testamento, ou seja, Cristo oferecendo-se, uma vez por todas, ao Pai, como hóstia imaculada (Hb 9,11-28). Exercem ainda, por título eminente, o ministério da reconciliação e o do conforto para com os fiéis arrependidos ou enfermos, e apresentam a Deus Pai as necessidades e preces dos crentes (Hb 5 1-4). Desempenhando, segundo a medida da autoridade que possuem, o múnus de Cristo pastor e cabeça, reúnem a família de Deus em fraternidade animada por um mesmo espírito e, por Cristo e no Espírito Santo, conduzem-na a Deus Pai. No meio do próprio rebanho adoram-nO em espírito e verdade (Jo 4,24). Trabalham, enfim, pregando e ensinando (1Tm 5,17), acreditando no que leem e meditam na lei do Senhor, ensinando o que creem e vivendo o que ensinam.

 

 

Diáconos

 

Em grau inferior da hierarquia estão os diáconos, aos quais foram impostas as mãos «não em ordem ao sacerdócio mas ao ministério». Pois que, fortalecidos com a graça sacramental, servem o Povo de Deus em união com o Bispo e o seu presbitério, no ministério da liturgia, da palavra e da caridade.

É próprio do diácono, segundo for cometido pela competente autoridade, administrar solenemente o Batismo, guardar e distribuir a Eucaristia, assistir e abençoar o Matrimônio em nome da Igreja, levar o viático aos moribundos, ler aos fiéis a Sagrada Escritura, instruir e exortar o povo, presidir ao culto e à oração dos fiéis, administrar os sacramentais, dirigir os ritos do funeral e da sepultura.

Consagrados aos ofícios da caridade e da administração, lembrem-se os diáconos da recomendação de S. Policarpo: «misericordiosos, diligentes, caminhando na verdade do Senhor, que se fez servo de todos».

 

 

5 - Leigos, membros não-ordenados

 

Os sagrados pastores conhecem, com efeito, perfeitamente quanto os leigos contribuem para o bem de toda a Igreja. Pois eles próprios sabem que não foram instituídos por Cristo para se encarregarem por si sós de toda a missão salvadora da Igreja para com o mundo, mas que o seu cargo sublime consiste em pastorear de tal modo os fiéis e de tal modo reconhecer os seus serviços e carismas, que todos, cada um segundo o seu modo próprio, cooperem na obra comum. Pois é necessário que todos, «praticando a verdade na caridade, cresçamos de todas as maneiras para aquele que é a cabeça, Cristo; pelo influxo do qual o corpo inteiro, bem ajustado e coeso por toda a espécie de junturas que o alimentam, com a ação proporcionada a cada membro, realiza o seu crescimento em ordem à própria edificação na caridade (Ef 4,15-16).

Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo.

É própria e peculiar dos leigos a característica secular. Com efeito, os membros da sagrada Ordem, ainda que algumas vezes possam tratar de assuntos seculares, exercendo mesmo uma profissão profana, contudo, em razão da sua vocação específica, destinam-se sobretudo e expressamente ao sagrado ministério; enquanto que os religiosos, no seu estado, dão magnífico e privilegiado testemunho de que se não pode transfigurar o mundo e oferecê-lo a Deus sem o espírito das bem-aventuranças.

Por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e atividade terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade. Portanto, a eles compete especialmente, iluminar e ordenar de tal modo as realidades temporais, a que estão estreitamente ligados, que elas sejam sempre feitas segundo Cristo e progridam e glorifiquem o Criador e Redentor.

 

 

6 - Dignidade dos leigos

 

A santa Igreja, por instituição divina, é organizada e governada com uma variedade admirável. «Assim como num mesmo corpo temos muitos membros, e nem todos têm a mesma função, assim, sendo muitos, formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros» (Rm 12, 4-5).

Um só é, pois, o Povo de Deus: «um só Senhor, uma só fé, um só Batismo (Ef. 4,5); comum é a dignidade dos membros, pela regeneração em Cristo; comum a graça de filhos, comum a vocação à perfeição; uma só salvação, uma só esperança e uma caridade indivisa. Nenhuma desigualdade, portanto, em Cristo e na Igreja, por motivo de raça ou de nação, de condição social ou de sexo, porque «não há judeu nem grego, escravo nem homem livre, homem nem mulher: com efeito, em Cristo Jesus, todos vós sois um» (Gl 3,28; Cl 3,11).

Portanto, ainda que, na Igreja, nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus (2Pd 1,1). Ainda que, por vontade de Cristo, alguns são constituídos doutores, dispensadores dos mistérios e pastores em favor dos demais, reina, porém, igualdade entre todos quanto à dignidade e quanto à atuação, comum a todos os fiéis, em favor da edificação do corpo de Cristo. A distinção que o Senhor estabeleceu entre os ministros sagrados e o restante Povo de Deus, contribui para a união, já que os pastores e os demais fiéis estão ligados uns aos outros por uma vinculação comum: os pastores da Igreja, imitando o exemplo do Senhor, prestem serviço uns aos outros e aos fiéis: e estes deem alegremente a sua colaboração aos pastores e doutores. Deste modo, todos testemunham, na variedade, a admirável unidade do Corpo místico de Cristo: a própria diversidade de graças, ministérios e atividades, consagra em unidade os filhos de Deus, porque «um só e o mesmo é o Espírito que opera todas estas coisas» (1Cor 12,11).

Os leigos, portanto, do mesmo modo que, por divina condescendência, têm por irmão a Cristo, o qual, apesar de ser Senhor de todos, não veio para ser servido mas para servir (Mt 20,28), de igual modo têm por irmãos aqueles que, uma vez estabelecidos no sagrado ministério, apascentam a família de Deus ensinando, santificando e governando com a autoridade de Cristo, de modo que o mandamento da caridade seja por todos observado. A este respeito diz belissimamente S. Agostinho: «aterra-me o ser para vós, mas consola-me o estar convosco. Sou para vós, como Bispo; estou convosco, como cristão. Nome de ofício, o primeiro; de graça, o segundo; aquele, de risco; este, de salvação».

Unidos no Povo de Deus, e constituídos no corpo único de Cristo sob uma só cabeça, os leigos, sejam quais forem, todos são chamados a concorrer como membros vivos, com todas as forças que receberam da bondade do Criador e por graça do Redentor, para o crescimento da Igreja e sua contínua santificação.

O apostolado dos leigos é participação na própria missão salvadora da Igreja, e para ele todos são destinados pelo Senhor, por meio do Batismo e da Confirmação. E os sacramentos, sobretudo a sagrada Eucaristia, comunicam e alimentam aquele amor para com Deus e para com os homens, que é a alma de todo o apostolado.

Mas os leigos são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e ativa naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra. Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef 4,7).

Além deste apostolado, que diz respeito a todos os fiéis, os leigos podem ainda ser chamados, por diversos modos, a uma colaboração mais imediata no apostolado da Hierarquia, à semelhança daqueles homens e mulheres que ajudavam o apóstolo Paulo no Evangelho, trabalhando muito no Senhor (Fl 4,3; Rm 16,3ss). Têm ainda a capacidade de ser chamados pela Hierarquia a exercer certos cargos eclesiásticos, com finalidade espiritual.

Incumbe, portanto, a todos os leigos a magnífica tarefa de trabalhar para que o desígnio de salvação atinja cada vez mais os homens de todos os tempos e lugares. Esteja-lhes, pois, amplamente aberto o caminho, a fim de que, segundo as próprias forças e as necessidades dos tempos, também eles participem com ardor na ação salvadora da Igreja.

Nesta obra, desempenha grande papel aquele estado de vida que é santificado por um sacramento próprio: a vida matrimonial e familiar. Aí se encontra um exercício e uma admirável escola de apostolado dos leigos, se a religião penetrar toda a vida e a transformar cada vez mais. Aí encontram os esposos a sua vocação própria, de serem um para o outro e para os filhos as testemunhas da fé e do amor de Cristo. A família cristã proclama em alta voz as virtudes presentes do reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada. E deste modo, pelo exemplo e pelo testemunho, argui o mundo do pecado e ilumina aqueles que buscam a verdade.

Por isso, ainda mesmo quando ocupados com os cuidados temporais, podem e devem os leigos exercer valiosa ação para a evangelização do mundo. E se há alguns que, na medida do possível, suprem nas funções religiosas os ministros sagrados que faltam ou estão impedidos em tempo de perseguição, a todos, porém, incumbe a obrigação de cooperar para a dilatação e crescimento do Reino de Cristo no mundo. Dediquem-se, por isso, os leigos com diligência a conseguir um conhecimento mais profundo da verdade revelada, e peçam insistentemente a Deus o dom da sabedoria.

Como todos os cristãos, devem os leigos abraçar prontamente, com obediência cristã, todas as coisas que os sagrados pastores, representantes de Cristo, determinarem na sua qualidade de mestres e guias na Igreja, a exemplo de Cristo, o qual com a Sua obediência, levada até à morte, abriu para todos o feliz caminho da liberdade dos filhos de Deus. Nem deixem de encomendar ao Senhor nas suas orações os seus prelados, já que eles olham pelas nossas almas, como devendo dar contas delas, a fim de que o façam com alegria e não gemendo (Hb 13,17).

Por seu lado, os sagrados pastores devem reconhecer e fomentar a dignidade e responsabilidade dos leigos na Igreja; recorram espontaneamente ao seu conselho prudente, entreguem-lhes confiadamente cargos em serviço da Igreja e deem-lhes margem e liberdade de ação, animando-os até a tomarem a iniciativa de empreendimentos. Considerem atentamente e com amor paterno, em Cristo, as iniciativas, pedidos e desejos propostos pelos leigos. E reconheçam a justa liberdade que a todos compete na cidade terrestre.

Cada leigo deve ser, perante o mundo, uma testemunha da ressurreição e da vida do Senhor Jesus e um sinal do Deus vivo. Todos em conjunto, e cada um por sua parte, devem alimentar o mundo com frutos espirituais (Gl 5,22) e nele difundir aquele espírito que anima os pobres, mansos e pacíficos, que o Senhor no Evangelho proclamou bem-aventurados (Mt 5,3-9). Numa palavra, «sejam os cristãos no mundo aquilo que a alma é no corpo».

 

 

7 - A instituição do papado

 

Para não nos perdermos nos mares da História, é necessário antes de tudo considerarmos a sucessão apostólica e a instituição do papado. Jesus teve o zelo, a precaução e o cuidado em deixar o seu vigário ou representante na terra, para pastorear e confirmar as suas ovelhas espalhadas no mundo inteiro. Assim, o papado instituído por Jesus desde a nomeação de Pedro foi a primeira organização estrutural e jurisdicional da Igreja.

Os primeiros cristãos tinham uma profunda consciência que o Senhor Jesus instituiu o papado desde Pedro e o colocou a serviço da sua Igreja com autoridade espiritual e jurisdição no mundo inteiro. Considerando que Pedro foi Bispo de Roma, os seus sucessores foram desde sempre reconhecidos como papas, com autoridade plena para pastorear toda Igreja Católica, nomear os Bispos das outras dioceses e ensinar a verdadeira fé cristã.

 

Um dos alicerces da nossa catolicidade, da Igreja Católica, é a instituição do Papado: o Papa como sucessor de São Pedro, constituído como chefe da Igreja, aquele que tem as chaves, o poder de ligar e desligar, sancionado por Deus no Céu. Nele se cumpre a promessa que Jesus fez à sua Igreja: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 20). 

 

Repito isso porque, alguns cristãos, zelosos pela ortodoxia, no ímpeto de defender algum dos valores e riquezas da Igreja, esquecem-se desse valor primordial. Destruído esse, os outros valores se desmoronam. Perde-se o vínculo da unidade na Igreja e da união com o fundador.  

 

Uma das provas de que a Igreja é indefectível, apesar das fraquezas humanas, e goza da assistência contínua e infalível do seu fundador, é a instituição do Papado, que nos dá a garantia da presença contínua dele na sua Igreja, através daquele que lhe faz as vezes, o seu Vigário.  

 

Jesus escolheu como seu vigário (que lhe faz as vezes, repito) na terra, Pedro, a pedra. E Pedro, primeiro Papa, é uma figura emblemática e paradigmática. Pedro se chamava Simão. Jesus lhe mudou o nome, significando sua missão, como é habitual nas Escrituras: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas! (que quer dizer Pedro – pedra)” (Jo 1, 42). Quando Simão fez a profissão de Fé na divindade de Jesus, este lhe disse: “Não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (a Igreja): tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16, 13-19). Corajoso e com imenso amor pelo Senhor, sentiu também sua fraqueza humana, ao negar três vezes que o conhecia. “Simão, Simão! Satanás pediu permissão para vos peneirar, como o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22, 31-32).  E Pedro, depois de ter chorado seu pecado, foi feito por Jesus o Pastor da sua Igreja. 

 

São Pedro, fraco por ele mesmo, mas forte pela força que lhe deu Jesus, representa bem a Igreja de Cristo. “Cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo sobre a pedra que é Pedro… Cremos que a Igreja, fundada por Cristo e pela qual Ele orou, é indefectivelmente una, na fé, no culto e no vínculo da comunhão hierárquica. Ela é santa, apesar de incluir pecadores no seu seio; pois em si mesma não goza de outra vida senão a vida da graça. Se realmente seus membros se alimentam dessa vida, se santificam; se dela se afastam, contraem pecados e impurezas espirituais, que impedem o brilho e a difusão de sua santidade. É por isso que ela sofre e faz penitência por esses pecados, tendo o poder de livrar deles a seus filhos, pelo Sangue de Cristo e pelo dom do Espírito Santo” (Credo do Povo de Deus).

 

Nenhuma sociedade humana sobreviveria a tantas fraquezas e dificuldades, se não fosse a ação do Espírito Santo que a mantém incólume no meio de todas essas tempestades, até a consumação dos séculos.

 

Dom Fernando Arêas Rifan

 

8 - Onde está Pedro, aí está a Igreja!

 

O Reino de Deus é um reino de ordem, não de confusão. Imagine quão grande seria a confusão se não tivéssemos um Vigário de Cristo na terra, tanto para pastorear a Igreja no mundo inteiro como para governá-la. É por isso que Santo Ambrósio (340-397) já repetia esta máxima que veio dos primeiros cristãos: “Onde está Pedro, aí está a Igreja. Onde está a Igreja não está a morte, mas a vida eterna!”

O papa, como cada um de nós, é um ser humano necessitado da misericórdia de Deus, a começar pelo Apóstolo Pedro que disse “afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pobre pecador". Mesmo assim, apesar da sua concupiscência, foi confirmado por Jesus como seu Vigário.

A lista dos papas demonstra a fidelidade de Deus que nunca abandonou a Igreja. Cada papa teve que zelar pela sua própria salvação e cada um será julgado por Jesus conforme tenha vivido nessa terra. O julgamento pertence a Deus. Mas independente disso, ele foi Vigário de Jesus e referência para os cristãos do mundo inteiro em um determinado momento da História.

 

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1550 - 1555 - Júlio III

1534 - 1549 - Paulo III

1523 - 1534 - Clemente VII

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1492 - 1503 - Alexandre VI

1484 - 1492 - Inocêncio VIII

1471 - 1484 - Sisto IV

1464 - 1471 - Paulo II

1458 - 1464 - Pio II

1455 - 1458 Calisto III

1447 - 1455 Nicolau V

1431 - 1447 Eugênio IV

1417 - 1431 Martinho V

1406 - 1417 Gregório XII

1404 - 1406 Inocêncio VII

1389 - 1404 Bonifácio IX

1378 - 1389 Urbano VI

1370 - 1378 Gregório XI

1362 - 1370 Urbano V

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1294 - 1303 - Bonifácio VIII

1294 - 1294 - Celestino V

1288 - 1292 - Nicolau IV

1285 - 1287 - Honório IV

1281 - 1285 - Martinho IV

1277 - 1280 - Nicolau III

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1276 - 1276 - Inocêncio V

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1187 - 1191 - Clemente III

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1185 - 1187 - Urbano III

1181 - 1185 - Lúcio III

1159 - 1180 - Alexandre III

1154 - 1159 - Adriano IV

1153 - 1154 - Anastácio IV

1145 - 1153 - Eugênio III

1144 - 1145 - Lúcio II

1143 - 1144 - Celestino II

1130 - 1143 - Inocêncio II

1124 - 1130 - Honório II

1119 - 1124 - Calisto II

1118 - 1119 - Gelásio II

1099 - 1118 - Pascoal II

1088 - 1099 - Urbano II

1086 - 1087 - Vítor III

1073 - 1085 - Gregório VII

1061 - 1073 - Alexandre II

1059 - 1061 - Nicolau II

1057 - 1058 - Estevão X

1054 - 1057 - Vitor II

1049 - 1054 - Leão IX

1048 - 1048 - Dâmaso II

1047 - 1048 - (Teofilato de Túsculo)

1046 - 1047 - Clemente II

1045 - 1046 - Gregório VI

1045 - 1045 - Bento IX

1045 - 1045 - Silvestre III, romano

1033 - 1045 - Bento IX

1024 - 1032 - João XIX

1012 - 1024 - Bento VIII

1009 - 1012 - Sérgio IV

1003 - 1009 - João XVIII

1003 - 1003 - João XVII

999 - 1003 - Silvestre II

996 - 999 - Gregório V

985 - 996 - João XV

983 - 984 - João XIV

974 – 983 - Bento VII

972 – 974 - Bento VI

965 - 972 - João XIII

964 - 964 - Bento V

963 - 965 - Leão VIII

955 - 964 - João XII

946 - 955 - Agapito II

942 - 946 - Marino II

939 - 942 - Estevão IX

936 - 939 - Leão VII

931 - 935 - João XI

928 - 931 - Estevão VIII

928 - 928 - Leão VI

914 - 928 - João X

913 - 914 - Lando

911 - 913 - Anastácio III

904 - 911 - Sérgio III

903 - 903 - Leão V

900 - 903 - Bento IV

898 - 900 - João IX

897 - 897 - Teodoro II

897 - 897 - Romano

896 - 897 - Estevão VII

896 - 896 - Bonifácio VI

891 - 896 - Formoso

885 - 891 - Estevão VI

884 - 885 - Adriano III

882 - 884 - Marino I

872 - 882 - João VIII

867 - 872 - Adriano II

858 - 867 - Nicolau I

855 - 858 - Bento III

847 - 855 - Leão IV

844 - 847 - Sérgio II

827 - 844 - Gregório IV

827 - 827 - Valentim

824 - 827 - Eugênio II

817 - 824 - Pascoal I

816 - 817 - Estevão V

795 - 816 - Leão III

772 - 795 - Adriano I

768 - 772 - Estevão IV

757 - 767 - Paulo I

752 - 757 - Estevão III

752 - 752 - Estevão [II]

741 - 752 - Zacarias

731 - 741 - Gregório III

715 - 731 - Gregório II

708 - 715 - Constantino

708 - 708 - Sisínio

705 - 707 - João VII

701 - 705 - João VI

687 - 701 - Sérgio I

686 - 687 - Cônon

685 - 686 - João V

683 - 685 - Bento II

682 - 683 - Leão II

678 - 681 - Agatão

676 - 678 - Dono

672 - 676 - Adeodato II

657 - 672 - Vitaliano

654 - 657 - Eugênio I

649 - 655 - Martinho I

642 - 649 - Teodoro I

640 - 642 - João IV

638 - 640 - Severino

625 - 638 - Honório I

619 - 625 - Bonifácio V

615 - 618 - Adeodato I

608 - 615 - Bonifácio IV

606 - 607 - Bonifácio III

604 - 606 - Sabiniano

590 - 604 - Gregório I Magno

579 - 590 - Pelágio II

575 - 579 - Bento I

561 - 574 - João III

556 - 561 - Pelágio I

537 - 555 - Vigílio

536 - 537 - Silvério

535 - 536 - Agapito I

533 - 535 - João II

530 - 532 - Bonifácio II

526 - 530 - Félix III

523 - 526 - João I

514 - 523 - Hormisdas

498 - 514 - Símaco

496 - 498 - Anastácio II

492 - 496 - Gelásio I

483 - 492 - Félix II

468 - 483 - Simplício

461 - 468 - Hilário

440 - 461 - Leão I Magno

432 - 440 - Sisto III

422 - 432 - Celestino I

418 - 422 - Bonifácio I

417 - 418 - Zózimo

402 - 417 - Inocêncio I

399 - 402 - Anastácio I

384 - 399 - Sirício

366 - 384 - Dâmaso I

352 - 366 - Libério

337 - 352 - Júlio I

336 - 336 - Marcos

314 - 335 - Silvestre I

310 - 314 - Melcíades

309 - 310 - Eusébio

307 - 309 - Marcelo I

296 - 304 - Marcelino

296 - 296 - Caio

274 - 282 - Eutiquiano

268 - 274 - Félix I

260 - 268 - Dionísio

257 - 258 - Sisto II

254 - 257 - Estevão I

253 - 254 - Lúcio I

251 - 253 - Cornélio

236 - 250 - Fabiano

235 - 236 - Antero

230 - 235 - Ponciano

222 - 230 - Urbano I

217 - 222 - Calisto I

199 - 217 - Zeferino

189 - 199 - Vítor I

174 - 189 - Eleutério

166 - 174 - Sotero

154 - 165 - Aniceto

143 - 154 - Pio I

138 - 142 - Higino

125 - 138 - Telésforo

116 - 125 - Sisto I

107 - 116 - Alexandre I

101 - 107 - Evaristo

90 - 101 - Clemente I

79 - 90 - Anacleto

64 - 79 - Lino

33-64 - Pedro Apóstolo

 

Continuemos a reflexão com o Arcebispo Fulton Sheen:

 

Quando nosso Senhor conferiu a primazia sobre Pedro e seus sucessores ele os fez infalíveis ou impecáveis? Os próprios Evangelhos fazem a distinção. Pedro fez a confissão da Divindade de Nosso Senhor, que então o colocou como a Rocha da Sua Igreja, com a garantia de que as portas do erro nunca prevalecerão contra ela.

 

Imediatamente após essa promessa de liberdade do erro e garantia da fé, o Senhor diz aos Apóstolos que Ele deve "ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, os escribas e príncipes dos sacerdotes, e ser condenado à morte".

 

O pobre, fraco e humano Pedro – que estava, evidentemente, inchado de orgulho, pois havia sido feita a Rocha da Igreja – ainda teria que aprender as limitações do seu dom. Como um menino que recebeu autoridade e está ansioso para exercê-la, Pedro agora chama o Senhor, na linguagem do Evangelho "a repreendê-lo", dizendo: "Senhor, tenha compaixão de ti, isso de modo algum te acontecerá".

 

Diante disso, Nosso Senhor, que estava de costas para Pedro, virou-se e disse: "Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!"

 

Um momento antes Pedro foi chamado de Rocha; agora ele é chamado de Satanás. Bem, não acho que a Mente Divina tenha mudado tão rapidamente. O Senhor não pegou de volta o dom da primazia, porque Ele o confirmaria depois de Sua Ressurreição. Ele estava apenas apresentando a Pedro a distinção entre o ofício e o homem, entre infalibilidade e impecabilidade, entre ser livre de erro e a libertação do pecado.

 

Em outras palavras, o Senhor estava dizendo: "Como Pedro, a rocha sobre a qual eu edificarei a Minha Igreja, você será preservado do erro; mas como Simão, filho de João, como um homem, você é tão fraco, tão humano, tão apto a ser pecador, que pode tornar-se ainda como a Satanás. Em seu ofício você é infalível; mas como um homem você é capaz de pecar".

 

A maioria de nós, também, ao examinarmos nossas relações com nossos semelhantes, está consciente dessa distinção que o Senhor fez em Cesareia de Filipe. Se um oficial da lei levanta a mão e ordena que você pare no trânsito, você o fará. E por quê? Porque ele é o representante da lei e da ordem. E você faria isso mesmo que você soubesse que, como um cidadão privado, o guarda de trânsito era conhecido por bater em sua esposa. Em outras palavras, você faz a distinção entre o ofício e o homem.

 

Admitindo, então, a fraqueza do homem (que continua a ser a mesma pessoa) e o poder do ofício (porque este é de Cristo), como justificar a ênfase que os inimigos da Igreja têm colocado sobre a imperfeição de Pedro? Ao ler algumas histórias poderíamos pensar que o papado não era nada além do que um rio escarlate de sangue.

 

 

9 - Santa Sé

 

Santa Sé ou Sé Apostólica é o centro pastoral e administrativo da Igreja, em Roma, tendo à frente o papa. Compreende a Secretaria de Estado, congregações, conselhos pontifícios, comissões, comitês, departamentos, tribunais e outros organismos.

A Cidade do Vaticano é um estado com autonomia política, graças ao Tratado de Latrão, assinado em 11 de fevereiro de 1929, entre o governo italiano e a Santa Sé, no pontificado de Pio XI. Considerado o menor Estado do mundo, esse território localizado dentro da cidade de Roma, assegura a liberdade da Sé Apostólica e a independência do papa para poder realizar sua missão. O papa é seu chefe de estado.

No Vaticano, destaca-se a Basílica de São Pedro, construída sobre o túmulo do apóstolo Pedro, que foi o primeiro papa. Ela é uma das quatro basílicas papais.

O escudo ou brasão da Santa Sé apresenta a tiara (um dos símbolos do ministério papal) sobre duas chaves cruzadas (simbolismo tirado do evangelho, representando as chaves dadas por Cristo ao apóstolo Pedro); a chave dourada faz alusão ao poder no reino dos céus; a prateada indica a autoridade espiritual do papa na Terra. O cordão com as curvas que une os apertos representa o vínculo entre os dois poderes.

A Cúria Romana é o conjunto de órgãos e pessoas que auxiliam o papa no governo da Igreja. Os órgãos e diversos departamentos que compõem a Cúria Romana são chamados dicastérios.

O decreto "Christus Dominus", do Concílio Vaticano II, diz que o Sumo Pontífice vale-se dos organismos da Cúria Romana. “Estes, por conseguinte, em nome e com a autoridade dele, exercem seu ofício para o bem das Igrejas e em serviço dos Sagrados Pastores."

A Cúria Romana compreende:

Secretaria de Estado

Congregações

Comissões pontifícias

Conselhos Pontifícios

Academias pontifícias

Pontifícios Comitês

Ofícios

Tribunais e

Outros organismos diversos.

 

 

10 - Diocese

 

Diocese (do grego dioíkēsis, administração, governo, gestão de uma instituição) é a forma como a Igreja se organiza pastoral e territorialmente em todo o mundo. Também chamada de Igreja Particular, na teologia e lei canónica, é uma comunidade eclesial em plena comunhão com Roma, uma parte da Igreja Católica vista como um todo.

O Código de Direito Canónico refere-se às Igrejas particulares como sendo as unidades “nas quais e das quais existe a una e única Igreja Católica”. Todas estas igrejas são lideradas por membros do clero, que, em última instância, respondem todos ao Papa.

Outra denominação para Diocese é a Circunscrição eclesiástica que nada mais é do que divisões territoriais e administrativas cujo objetivo é organizar e tornar mais eficaz a administração da Igreja Católica.

O Papa cria as dioceses em todo o mundo e escolhe os seus bispos. Desta forma, se torna mais fácil a administração e a organização pastoral da região. Assim o rebanho de Cristo ganha um pastor para atuar naquela área específica juntamente com os presbíteros auxiliando mais de perto este mesmo rebanho a ter um encontro pessoal com Cristo e uma experiência de comunidade.

 

 

11 - Paróquia

 

O conceito de paróquia vem do Grego paroikêin, significando viver junto, habitar nas proximidades, habitar como peregrinos em qualquer parte.

O Código de Direito Canônico afirma que a paróquia é a comunidade dos fiéis submetida ao pároco ou, é um território sobre o qual se estende a jurisdição do pároco.

Nos primeiros séculos da Igreja não existiam as paróquias, existiam apenas os bispados ou dioceses administradas pessoalmente pelos bispos, como legítimos sucessores dos Apóstolos. Cada diocese formava uma única paróquia cuja matriz era a Catedral, igreja que possuía a pia batismal. Os bispos, nas suas catedrais, cercavam-se de sacerdotes auxiliares para o serviço do culto e administração dos sacramentos.

Com a propagação da fé, sobretudo, no período medieval, formaram-se números núcleos de fiéis nas grandes cidades e nas aldeias do Império Romano ou nos reinos europeus que o sucederam.

Daí veio a necessidade de se construir outras igrejas para comodidade dos fiéis, que nem sempre podiam recorrer facilmente ao bispo devido à distância da sede diocesana. Para essas igrejas, o bispo enviava sacerdotes para realizarem o serviço ministerial, regressando depois à sede do bispado.

Nas igrejas rurais, lembrando que na Idade Média aconteceu um forte processo de ruralização da vida e da economia, a administração das igrejas foi confiada a sacerdotes determinados, marcando para cada um deles um território ou comarca, para o exercício de sua jurisdição. Esse território ou comarca passou a ser chamado de paróquia.

Cada paróquia é pensada para ser uma célula viva do organismo universal que é da Igreja. Os fiéis que formam uma paróquia devem ser uma família espiritual que, unida a outras, forma a sociedade ou edifício espiritual. Nesta organização, a Igreja Matriz deve ser o expoente da fé e da piedade dos paroquianos.

As funções mais importantes como a administração de alguns sacramentos devem ser realizadas na Igreja Matriz, revestindo-se de maior pompa para maior edificação dos fiéis. A matriz deve estar sempre provida do que há de melhor para o esplendor do culto, contando com os recursos fornecidos pelos paroquianos e pelo pároco.

A vida comunitária, porém, precisa ser descentralizada, sendo realizada e vivenciada em maior ou menor grau em todas as comunidades que formam a paróquia.

As Paróquias possuem diversos Organismos Eclesiais:

 

- Pastoral

 

Pastoral vem de pastor, pastoreio. A Igreja deve pastorear as ovelhas. Pastoral é, portanto, uma ação da Igreja a serviços da vida das ovelhas. Exemplos: Pastoral da Liturgia, Pastoral da Catequese, Pastoral da Saúde, Pastoral da Criança, Pastoral da Sobriedade, etc

 

- Ministério

 

Ministério é um serviço instituído oficialmente pela Igreja (investidura), como os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística e os Ministros Extraordinários da Palavra.

 

- Movimento

 

Os movimentos são organizações de leigos para a vivência de um carisma e para a realização de uma missão específica na Igreja. Eles são governados e organizados para além do território paroquial e tem o seu estatuto próprio. Uma vez presentes na paróquia, os movimentos devem caminhar em obediência ao pároco, unidade com os outros organismos paroquiais e ajudar a paróquia nas suas necessidades espirituais, pastorais e financeiras, mas nunca podem esquecer o seu carisma próprio, estatutos e regimentos. Exemplos: Discipulado de Jesus Cristo, Focolares, Comunidade Shalom, Encontro de Casais com Cristo, Neocatecumenal, etc    

 

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