Ser DJC na Paróquia

 

Meditamos longamente com a Bíblia Sagrada, os Santos e com o próprio Magistério Eclesiástico sobre a importância da Igreja Católica Apostólica Romana dentro do projeto salvífico de Deus. Sempre consideramos que a Igreja invisível, Corpo Místico de Cristo, Sacramento Universal da Salvação, é a mesma Igreja visível na História.

 

Esta Igreja, peregrina sobre a terra, é necessária para a salvação. Pelo que, não se poderiam salvar aqueles que, não ignorando ter sido a Igreja católica fundada por Deus, por meio de Jesus Cristo, como necessária, contudo, ou não querem entrar nela ou nela não querem perseverar. (Lumen Gentium)

 

Católicos, somos plenamente incorporados à única e verdadeira Igreja fundada por Jesus, a Igreja Católica Apostólica Romana. Aceitamos “toda a sua organização e os meios de salvação nela instituídos, e que, pelos laços da profissão da fé, dos sacramentos, do governo eclesiástico e da comunhão, se unem, na sua estrutura visível, com Cristo, que a governa por meio do Sumo Pontífice e dos Bispos”. Mas queremos ser católicos verdadeiros, pois não se salva quem, embora permanecendo na Igreja pelo “corpo”, não está nela com o coração.

 

Lembrem-se, porém, todos os filhos da Igreja que a sua sublime condição não é devida aos méritos pessoais, mas sim à especial graça de Cristo; se a ela não corresponderem com os pensamentos, palavras e ações, bem longe de se salvarem, serão antes mais severamente julgados. (Lumen Gentium)

 

Portanto, professar a fé, celebrar os sacramentos, obedecer o Papa e acolher a organização da Igreja faz parte da catolicidade necessária para a salvação. Tem católico que professa fé, obedece o Papa e celebra os sacramentos, mas esquece de acolher a organização eclesial. Seu amor pela Igreja torna-se platônico, abstrato, descomprometido. Quem ama se compromete. Não podemos ficar num pseudoamor individualista e acomodado que “ama” a Igreja lá de longe, o Santuário lá de longe, o padre artista lá de longe, mas não ama a Igreja bem próxima da sua casa. Católico do mundo virtual com a cabeça na lua, mas que não vive a fé, a esperança e o amor no concreto da História tende ao farisaísmo, não ao verdadeiro cristianismo. No mundo virtual tudo é “perfeito”, mas o verdadeiro caminho da perfeição é com os pés no chão e o coração em Deus.  


A organização pressupõe o tempo e o espaço. Assim, somos católicos com os pés no chão, comprometidos com a Igreja real, animada pelo Espírito, mas de carne e osso, situada na História e comprometida com a sua plena realização no Reino de Deus.


A Constituição Pastoral Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II sobre a Igreja no mundo atual ensina:

 

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história.

 

Igreja, que tem a sua origem no amor do eterno Pai, foi fundada, no tempo, por Cristo Redentor, e reúne-se no Espírito Santo, tem um fim salvador e escatológico, o qual só se poderá atingir plenamente no outro mundo. Mas ela existe já atualmente na terra, composta de homens que são membros da cidade terrena e chamados a formar já na história humana a família dos filhos de Deus, a qual deve crescer continuamente até à vinda do Senhor. Unida em vista dos bens celestes e com eles enriquecida, esta família foi por Cristo «constituída e organizada como sociedade neste mundo», dispondo de «convenientes meios de unidade visível e social». Deste modo, a Igreja, simultaneamente «agrupamento visível e comunidade espiritual», caminha juntamente com toda a humanidade, participa da mesma sorte terrena do mundo e é como que o fermento e a alma da sociedade humana, a qual deve ser renovada em Cristo e transformada em família de Deus.

 

Era nas pequenas comunidades referenciadas nas casas (oikos) que os primeiros cristãos se ajudavam na fé, vida e missão, uma vez que eram muito perseguidos, marginalizados e considerados estrangeiros no mundo (1Pd 1,16-17; Ef 2,9). Assim, a Igreja das Casas, com sua estrutura inicial fortemente comunitária, era uma verdadeira paroikia, ou seja, a casa onde os cristãos considerados estrangeiros e marginalizados no mundo encontravam abrigo, cuidado e amor. O conjunto dessas casas (paroikias) de uma determinada região passa a ser chamado de dioikésis. É assim que, no século IV, após uma longa caminhada desde os primeiros cristãos, a Igreja Católica vai se organizar cada vez mais em Dioceses e Paróquias. Mas a ideia inicial é sempre a mesma. A Igreja se organiza para cada vez mais ser a casa onde os cristãos, estrangeiros neste mundo e peregrinos rumo à Pátria do Céu, possam ser acolhidos, cuidados e enviados em missão. 


As Dioceses eram lideradas pelos epíscopos (bispos), sucessores dos Apóstolos, e se estabeleciam a partir da zona urbana. Como os Bispos não conseguiam ir em todas regiões rurais, ordenavam e enviavam os presbíteros (padres) para que, em seu nome, pastoreassem as ovelhas mais distantes, confiando-lhes uma determinada região da diocese (paróquias). Assim, a Igreja Católica não ficava perdida e sem referência no tempo e no espaço. Sempre existiam legítimos pastores com jurisdição em todas regiões, tanto na zona urbana como na zona rural. Os católicos eram diocesanos e paroquianos, tendo bispos certos e padres certos como pastores.


Diocese e Paróquia nasceram para cuidar dos cristãos marginalizados e estrangeiros no mundo, para que tenham força na peregrinação até o céu e enquanto isso também realizem a sua missão na família, na Igreja e na sociedade. Esta consciência histórica ajuda que cada Diocese e cada Paróquia sempre seja uma grande rede de pequenas Comunidades Eclesiais Missionárias, casa de apoio e acolhida dos fiéis.


O Movimento Católico de Evangelização Discipulado de Jesus Cristo tem os pés no chão. É católico de verdade, não só de nome. Por isso toda Extensão do DJC deve se integrar realmente com a Paróquia, sempre em profunda unidade e obediência com o seu pároco.


O Código de Direito Canônico ensina que “a paróquia é uma certa comunidade de fiéis, constituída estavelmente na Igreja particular, cuja cura pastoral, sob a autoridade do Bispo diocesano, está confiada ao pároco, como a seu pastor próprio”. Toda Paróquia sempre deve ter um território, um rebanho e um pastor, o Pároco.  Ela possui diversos Organismos Eclesiais: Comunidades Cristãs (Matriz e Capelas), Pastorais, Ministérios e Movimentos.


O Decreto sobre o Apostolado dos Leigos do Concílio Vaticano II ensina sobre a importância dos Movimentos Eclesiais ou Associações:

 

O apostolado em associação é de grande importância também porque, nas comunidades eclesiais e nos vários meios, o apostolado exige com frequência ser realizado mediante a ação comum. As associações criadas para a ação apostólica comum fortalecem os seus membros e formam-nos para o apostolado. Além disso, distribuem ordenadamente e orientam o seu trabalho apostólico, de modo que se podem esperar daí frutos muito mais abundantes do que se agisse cada um por sua conta.


Os Movimentos “são associações criadas para a ação apostólica comum” e fortalecimento dos seus membros. São organizações de leigos para a vivência de um carisma e para a realização de uma missão específica na Igreja. Eles são governados e organizados para além do território paroquial e tem o seu estatuto próprio. Uma vez presentes na paróquia, devem caminhar em obediência ao pároco, unidade com os outros organismos paroquiais e ajudar a paróquia nas suas necessidades espirituais, pastorais e financeiras. Mas nunca podem esquecer o seu carisma próprio, estatutos e regimentos.


Toda Extensão do DJC deve caminhar na Paróquia com respeito e obediência ao pároco, mas sem anular a vivência da Vocação DJC. Porque só podemos servir a Igreja como uma associação de leigos se formos fieis ao nosso Carisma Vocacional e Estatutos.


Além de viver a sua vocação e realizar a sua missão nos trilhos do seu Método de Evangelização e Acompanhamento de Discípulos, o DJC pode auxiliar bastante na catequese paroquial, pois essa pastoral está muito próxima do nosso Carisma Vocacional.


DJC não é somente um encontro de oração. É toda uma Caminhada Discipular com Vivência, Siloé, Convivência, Eventos, Corpo de Apostolado, Ministérios... Tudo isso com fidelidade ao nosso Carisma Vocacional e ao mesmo tempo em unidade com a Paróquia. É desafiante, mas assim deve ser, porque é na Paróquia que o DJC ama a Igreja de verdade e vive a sua eclesialidade de forma concreta.


É assim, na e a partir da Paróquia, que cada Extensão do DJC, vive os cinco critérios de eclesialidade discernidos por São João Paulo II na Exortação Apostólica Christifideles Laici sobre a vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo:

 

- Primado da vocação de cada cristão à santidade;

 


- Responsabilidade em professar a fé católica;

 


- Comunhão sólida e convicta com o Papa e com o Bispo;

 


- Conformidade e participação na finalidade apostólica da Igreja e

 


- Empenho de uma presença na sociedade humana que se coloque a serviço da dignidade integral do homem.

 

Os critérios fundamentais acima expostos encontram a sua verificação nos frutos concretos que acompanham a vida e as obras das diversas formas associativas, tais como: o gosto renovado pela oração, a contemplação, a vida litúrgica e sacramental; a animação pelo florescimento de vocações ao matrimónio cristão, ao sacerdócio ministerial, à vida consagrada; a disponibilidade em participar nos programas e nas atividades da Igreja, tanto a nível local como nacional ou internacional; o empenhamento catequético e a capacidade pedagógica de formar os cristãos; o impulso em ordem a uma presença cristã nos vários ambientes da vida social e a criação e animação de obras caritativas, culturais e espirituais; o espírito de desapego e de pobreza evangélica em ordem a uma caridade mais generosa para com todos; as conversões à vida cristã ou o regresso à comunhão por parte de batizados «afastados». (São João Pulo II)

 

O DJC vive toda eclesialidade na e a partir da Paróquia, sempre no justo equilíbrio necessário da profunda unidade e obediência ao Pároco e fidelidade ao nosso Carisma Vocacional e Estatutos.