O Salmo 102 revela que o Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome!
Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus
favores!
Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade;
da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão.
Não fica sempre repetindo as suas queixas, nem guarda eternamente o seu
rancor.
Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às
nossas culpas.
Quanto os céus por sobre a terra se elevam, tanto é grande o seu amor
aos que o temem;
quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos
crimes.
O povo diz que filho de peixe, peixe é! Assim, também temos que ser
bondosos e compassivos e carinhosos. Nada mais manifesta a bondade, a compaixão
e o carinho que o perdão!
Perdoar não é esquecer o mal que alguém nos fez. Perdoar é decidir não
ser vingativo e amar até mesmo aquele que se fez nosso inimigo.
Pedro perguntou a Jesus quantas vezes deveria perdoar (Mt 18,21-35). Até
sete vezes? Como se até sete vezes fosse muita coisa. Jesus lhe diz não até
sete vezes, mas setenta vezes sete, ou seja, quantas vezes se fizer necessário.
Porque perdoar não é esquecer. Então toda vez que a lembrança de um mal
que alguém nos fez vier à nossa lembrança e o sentimento de vingança crescer no
nosso coração, devemos perdoar, decidir amar e não se vingar.
A lembrança vem de madrugada, eu decido perdoar!
Retorna pela manhã, perdoo mais uma vez!
Volta à tarde? Mais uma vez eu decido perdoar de novo!
E assim por diante... 70 x 7! Vou perdoando cada vez que se fizer
necessário perdoar o meu irmão que me prejudicou consciente ou
inconscientemente. Isto é decisão de amar quem me fez o mal, e não me vingar. O
perdão cura e liberta. A vingança perpétua o mal.
Está escrito no livro do Eclesiástico (27,33-28,9):
O rancor e a raiva são coisas detestáveis, até o pecador procura
dominá-las.
Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas conta
dos seus pecados.
Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus
pecados serão perdoados.
Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura?
Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos
seus pecados?
Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão
para os seus pecados?
Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte, e
persevera nos mandamentos.
Pensa nos mandamentos, e não guardes rancor ao teu próximo.
Pensa na aliança do Altíssimo, e não leves em conta a falta alheia!
Na decisão de perdoar eu amo o inimigo e rezo por ele. Decido não pagar
o mal com o mal, mas, se preciso for, decido pagar o mal com o bem.
Decido tirar do coração todo sentimento ruim de rancor e ódio. O perdão
cura o coração, restaura as relações, reconstrói a família, o casamento, a
amizade e a sociedade.
Perdoar inclui a justiça, não a vingança. Justiça com amor inclui a
reparação dos prejuízos, mas não esmaga a dignidade do opressor.
Pe. Marcos Oliveira
Acompanhante Geral do DJC
17 09 23